Diante do cenário de juros elevados e dificuldades crescentes para acessar crédito rural, os consórcios têm ganhado força entre os produtores brasileiros como alternativa para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas. A modalidade permite investimentos planejados e mais sustentáveis financeiramente, sem comprometer o fluxo de caixa das propriedades.
De acordo com a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), cerca de um terço dos consórcios voltados para veículos pesados já são direcionados ao setor agropecuário. A entidade prevê um crescimento de mais de 10% neste segmento ao longo de 2025.
O custo efetivo de um consórcio varia entre 0,13% e 1,6% ao mês, significativamente inferior às taxas de financiamento tradicionais, que podem ultrapassar 12%, segundo Guilherme Carrasco, vice-presidente executivo da Ademicon.
A tendência foi evidenciada durante a 25ª edição da Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque (RS). Expositores relataram aumento nas negociações por consórcio, principalmente por conta da escassez de crédito e das perdas nas lavouras provocadas pela estiagem.
Empresas como a BP Consórcio estão apostando forte nesse mercado, com novas soluções digitais e parcerias para atender a demanda crescente. Além disso, o consórcio também tem se mostrado uma alternativa viável para o setor sucroenergético, como demonstra a JP Andrade Agropecuária, de Frutal (MG), que tem ampliado seus investimentos por meio dessa modalidade.
A preferência por consórcios sinaliza uma mudança de comportamento no agronegócio brasileiro, que busca manter sua capacidade de investimento e modernização mesmo em tempos de incerteza econômica. A prática reforça o planejamento de longo prazo e garante ao produtor maior previsibilidade nos custos operacionais.