A Embrapa havia desenvolvido uma cultivar chamada Brachiaria brizantha. Rapidamente, o capim conquistou os pastos do país. Rapidamente ganhou também o apelido de “braquiarão” ou “brizantão”. O pecuarista do Acre também aderiu à nova tecnologia.
O problema foi que a geografia do Acre exige cuidados específicos. O capim mostrou eficácia na primeira etapa. Mas depois de dois ou três anos de aplicação, os pastos do Acre viveram a “Síndrome da Morte do Braquiarão”. Foi impactante.
“O problema é que aqui no Acre nós temos características específicas de solo e clima. Aqui chove dois mil milímetros por ano em algumas regiões. Mais a oeste, ali no Juruá, por exemplo, chove até mais. E o nosso solo, que é muito argiloso. Então, a drenagem dele não é tão boa”, detalha o chefe Geral da Embrapa no Acre, Bruno Pena. “Em alguns lugares, cria-se uma camada de encharcamento do solo”.
Não haviam sido feitos testes para aplicação do braquiarão no Acre. O produtor aderiu sem os cuidados devidos, ao verificar a grande produtividade que o capim demonstrou em outras regiões do país. “No primeiro ano foi bem, no segundo ano foi bem. No terceiro ano, começou o encharcamento. E começaram as mortes do capim”, lembra Pena.
Foi aí que a Embrapa Acre entrou em cena para identificar o problema e programar uma reação. O trabalho exigiu agilidade e parceria com o produtor, agora, assustado, na eminência de perder o gado que não tinha a fartura de antes.
A Embrapa avaliou que não era economicamente viável usar herbicida ou fungicida. A solução estava em substituir o capim. Como a unidade da Embrapa já desenvolvia pesquisas justamente para identificar quais espécies eram mais resistentes a um solo argiloso e alagadiço, apostou, entre outros, no tangola, braquiária humidícula e grama-estrela-rocha por exemplo. Deu certo.
Após esse episódio, o pecuarista do Acre dificilmente aplica qualquer tecnologia sem antes consultar agrônomos ou sem perguntar à Embrapa.
