Chefe da Embrapa no Acre lembra da praga do braquiarão nos anos 90

Nos 50 anos da Embrapa no Acre, Bruno Pena recorda de um dos períodos mais graves da história da pecuária regional, justamente no momento em que o plantel estava no início da ascensão

Itaan Arruda
Bruno Pena lembrou do perigo que é a aplicação de uma tecnologia sem o devido cuidado e orientação. (Foto: Iago Nascimento)

A Embrapa havia desenvolvido uma cultivar chamada Brachiaria brizantha. Rapidamente, o capim conquistou os pastos do país. Rapidamente ganhou também o apelido de “braquiarão” ou “brizantão”. O pecuarista do Acre também aderiu à nova tecnologia.

O problema foi que a geografia do Acre exige cuidados específicos. O capim mostrou eficácia na primeira etapa. Mas depois de dois ou três anos de aplicação, os pastos do Acre viveram a “Síndrome da Morte do Braquiarão”. Foi impactante.

“O problema é que aqui no Acre nós temos características específicas de solo e clima. Aqui chove dois mil milímetros por ano em algumas regiões. Mais a oeste, ali no Juruá, por exemplo, chove até mais. E o nosso solo, que é muito argiloso. Então, a drenagem dele não é tão boa”, detalha o chefe Geral da Embrapa no Acre, Bruno Pena. “Em alguns lugares, cria-se uma camada de encharcamento do solo”.

Não haviam sido feitos testes para aplicação do braquiarão no Acre. O produtor aderiu sem os cuidados devidos, ao verificar a grande produtividade que o capim demonstrou em outras regiões do país. “No primeiro ano foi bem, no segundo ano foi bem. No terceiro ano, começou o encharcamento. E começaram as mortes do capim”, lembra Pena.

Foi aí que a Embrapa Acre entrou em cena para identificar o problema e programar uma reação. O trabalho exigiu agilidade e parceria com o produtor, agora, assustado, na eminência de perder o gado que não tinha a fartura de antes.

A Embrapa avaliou que não era economicamente viável usar herbicida ou fungicida. A solução estava em substituir o capim. Como a unidade da Embrapa já desenvolvia pesquisas justamente para identificar quais espécies eram mais resistentes a um solo argiloso e alagadiço, apostou, entre outros, no tangola, braquiária humidícula e grama-estrela-rocha por exemplo. Deu certo.

Após esse episódio, o pecuarista do Acre dificilmente aplica qualquer tecnologia sem antes consultar agrônomos ou sem perguntar à Embrapa.

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