Alta do tomate e da carne eleva custo da cesta básica em Rio Branco para R$ 689

Inflação dos alimentos pesa no bolso das famílias acreanas e compromete quase metade do salário mínimo líquido

Redação
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O custo da cesta básica voltou a subir em Rio Branco e chegou a R$ 689,11 em maio de 2026, segundo levantamento divulgado nesta semana. O valor representa aumento de 3,29% em relação a abril e reforça a pressão exercida pelos alimentos sobre o orçamento das famílias acreanas.

Nos últimos 12 meses, a cesta acumulou alta de 5,27%. Já no acumulado deste ano, entre dezembro de 2025 e maio de 2026, o aumento alcançou 10,06%, índice superior à inflação oficial registrada no período.

Os principais responsáveis pela alta em maio foram produtos amplamente consumidos pela população. O tomate liderou os reajustes, com aumento de 18,31%, seguido pelo leite integral (5,61%), arroz agulhinha (3,68%), feijão-carioca (3,27%), carne bovina de primeira (1,64%) e pão francês (1,20%).

O avanço dos preços desses itens tem relação com fatores climáticos, custos de produção e transporte, além das oscilações de oferta observadas em diferentes regiões produtoras do país.

Por outro lado, alguns alimentos ajudaram a conter uma alta ainda maior da cesta. A banana registrou queda de 7,77%, enquanto o café em pó recuou 4,05%. Também ficaram mais baratos o açúcar cristal (-2,19%), óleo de soja (-2,02%) e manteiga (-0,38%).

Tomate acumula alta de 45% em 2026

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o tomate aparece como o principal vilão da cesta básica em Rio Branco. O produto já acumula aumento de 45,34%, refletindo problemas de oferta e custos de produção.

Também apresentaram fortes elevações o feijão-carioca (25,38%) e a carne bovina de primeira (11,25%). O leite integral acumula alta de 4,86%, enquanto o pão francês avançou 1,06%.

Entre os produtos que ficaram mais baratos em 2026 estão o óleo de soja (-15,14%), café em pó (-10,89%), açúcar cristal (-9,16%), farinha de mandioca (-6,27%), banana (-4,45%) e manteiga (-1,47%).

Carne e feijão lideram altas em 12 meses

Na comparação com maio de 2025, os maiores aumentos foram registrados pelo feijão-carioca, que subiu 20,59%, pela carne bovina de primeira, com alta de 15,65%, e pelo tomate, que acumulou elevação de 15,02%.

Os dados mostram que produtos ligados diretamente ao agronegócio e à produção agropecuária continuam exercendo forte influência sobre o custo de vida da população.

Quase metade do salário vai para alimentação

Com a cesta básica custando R$ 689,11, um trabalhador de Rio Branco que recebe o salário mínimo de R$ 1.621 precisou trabalhar 93 horas e 32 minutos para comprar os alimentos básicos necessários para um mês.

Considerando o salário líquido, após o desconto da Previdência Social, o gasto com a cesta comprometeu 45,96% da renda mensal. Em abril, esse percentual era de 44,49%.

O levantamento evidencia que, apesar do aumento da renda nominal nos últimos anos, os alimentos continuam absorvendo uma parcela significativa do orçamento das famílias acreanas, especialmente das de menor poder aquisitivo.

Para especialistas, a evolução dos preços dos alimentos seguirá sendo um dos principais fatores a influenciar a inflação local ao longo de 2026, principalmente em produtos sensíveis às condições climáticas e aos custos de logística, realidade que afeta diretamente estados da Amazônia como o Acre.

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