Preços da indústria sobem 2,63% em abril

Alta foi puxada por produtos químicos, combustíveis e indústria extrativa; alimentos também pressionaram os preços na porta de fábrica

Redação
Por

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou alta de 2,63% em abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado representa aceleração em relação a março, quando o índice havia ficado em 2,28%, e marca o terceiro maior acumulado para um mês de abril desde o início da série histórica, em 2014.

O IPP mede a variação dos preços dos produtos industriais “na porta da fábrica”, sem incluir impostos e fretes. Em abril, 21 das 24 atividades industriais pesquisadas apresentaram aumento nos preços.

No acumulado de 2026, o índice já soma alta de 5,12%. Em 12 meses, a variação ficou em 1,07%, revertendo o cenário negativo observado em março, quando o acumulado era de -1,63%.

Os maiores aumentos mensais ocorreram nos setores de outros produtos químicos (9,91%), borracha e plástico (7,31%), refino de petróleo e biocombustíveis (6,44%) e indústrias extrativas (4,92%).

O setor de produtos químicos teve a maior influência sobre o resultado geral da indústria, respondendo sozinho por 0,80 ponto percentual da alta de 2,63%. Em seguida aparecem refino de petróleo e biocombustíveis (0,63 p.p.), alimentos (0,34 p.p.) e borracha e plástico (0,29 p.p.).

Entre os fatores apontados pelo IBGE estão os efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, especialmente o fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota global para transporte de petróleo. O cenário pressionou os preços do petróleo, combustíveis, resinas plásticas e insumos petroquímicos.

No setor alimentício, os preços avançaram 1,43% em abril. O aumento foi impulsionado principalmente pelos produtos lácteos, carnes bovinas e açúcar VHP. Segundo o IBGE, o leite sofreu pressão devido à menor oferta e maior concorrência entre laticínios. Já a carne bovina foi impactada pela redução da oferta de animais para abate e pela demanda externa aquecida.

O setor de indústrias extrativas também teve forte desempenho, acumulando alta de 23,11% no ano e 20,29% em 12 meses. Os principais produtos responsáveis pelo avanço foram os óleos brutos de petróleo e os minérios de cobre.

Entre as grandes categorias econômicas, os bens intermediários — usados como insumos pela indústria — tiveram a maior pressão sobre o índice, com alta de 4,10% em abril e influência de 2,23 pontos percentuais no resultado geral.

Já os bens de consumo subiram 0,78%, enquanto os bens de capital, ligados principalmente a máquinas e equipamentos, tiveram alta mais moderada, de 1,26% no mês.

Compartilhar esta notícia
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *