O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com crescimento expressivo de 12,2%, mesmo após registrar retração de 1,11% no quarto trimestre, na comparação com o trimestre anterior. Os dados são do Cepea/Esalq-USP em parceria com a CNA e mostram uma desaceleração no ritmo de expansão ao longo do ano.
O desempenho anual foi impulsionado principalmente pela pecuária, que cresceu 32,55%, enquanto o ramo agrícola avançou 3,40%. Entre os segmentos, o primário liderou a alta (17,06%), seguido pelos agrosserviços (13,76%), agroindústria (5,60%) e insumos (5,37%).
No último trimestre, porém, todos os segmentos recuaram. O movimento reflete a perda de força dos preços ao longo de 2025, após a valorização registrada desde o segundo semestre de 2024.
Na pecuária, o destaque foi o bom desempenho das exportações. A carne suína, por exemplo, somou cerca de 1,5 milhão de toneladas exportadas no ano, alta de 11,6%, com receita próxima de R$ 3,6 bilhões. O setor também se beneficiou de problemas sanitários em concorrentes internacionais, abrindo espaço em mercados como México, Japão e China.
Já a carne de frango apresentou recuperação gradual no quarto trimestre, após restrições sanitárias no início do ano. Os preços se mantiveram relativamente estáveis, sustentados pela retomada das exportações e pela demanda interna.
Por outro lado, o setor de laticínios enfrentou dificuldades. Mesmo com aumento de 3,6% na produção, os preços caíram 3,94% no ano, pressionados pelo excesso de oferta e demanda enfraquecida. O cenário resultou em queda nas margens e aumento dos estoques ao longo da cadeia.
No segmento de serviços ligados ao agro, o crescimento anual foi de 13,76%, puxado principalmente pelos agrosserviços da pecuária. Ainda assim, houve retração de 0,86% no quarto trimestre, refletindo a desaceleração geral do setor.
O bom desempenho do agronegócio também se refletiu no comércio exterior. Em 2025, as exportações do setor atingiram US$ 169,1 bilhões, o maior valor da série histórica, com crescimento de 2,9% em relação a 2024.
Com isso, o PIB do agronegócio alcançou R$ 3,2 trilhões no ano, passando a representar 25,13% da economia brasileira, acima dos 22,9% registrados no ano anterior.
Apesar do resultado robusto, o relatório aponta que a continuidade do crescimento em 2026 dependerá de ajustes na oferta e da recuperação da demanda, especialmente no mercado interno.
