CNA apresenta 10 propostas para o Plano Safra 2026/2027

Documento entregue ao Ministério da Agricultura defende planejamento plurianual e reforço da saúde financeira do produtor rural

Redação
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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou, nesta terça-feira (28), um conjunto de dez propostas para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027, conhecido como Plano Safra. O documento foi entregue pelo presidente da entidade, João Martins, ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

As propostas têm como eixo central o fortalecimento da política agrícola brasileira, com destaque para previsibilidade orçamentária, planejamento de longo prazo e melhoria das condições financeiras dos produtores rurais. O texto também enfatiza a necessidade de ampliar o acesso ao crédito, reforçar o seguro rural e aprimorar mecanismos de renegociação de dívidas.

Construído em parceria com federações estaduais, sindicatos e produtores rurais de todas as regiões do país, o documento busca garantir sustentabilidade econômica ao setor e manter o Brasil como um dos principais fornecedores de alimentos do mundo.

Na avaliação da CNA, o cenário atual — marcado por incertezas econômicas, juros elevados, aumento de custos e instabilidade climática — tem pressionado o produtor rural, que vem mantendo a produção com margens reduzidas e maior nível de endividamento. Diante disso, o Plano Safra 2026/2027 é considerado decisivo não apenas pela ampliação de recursos, mas pela necessidade de reestruturação dos instrumentos de política agrícola.

Previsibilidade e orçamento

A entidade demonstra preocupação com a falta de alinhamento entre o orçamento anual da União e o ciclo agrícola, o que compromete o planejamento de produtores, cooperativas e instituições financeiras. Segundo a CNA, a insuficiência de recursos no Orçamento Geral da União (OGU), somada ao ambiente de juros elevados, exige complementações ao longo do ano, gerando instabilidade.

Para a confederação, garantir previsibilidade orçamentária e compatibilizar o calendário fiscal com o agrícola é essencial para evitar descontinuidades nas políticas públicas do setor.

Plano plurianual

Outro ponto central é a defesa de um modelo plurianual para o Plano Safra. Embora o programa seja anunciado para todo o ciclo produtivo, sua execução ainda segue uma lógica anual, sujeita a cortes e ajustes.

A CNA propõe uma programação de médio prazo que inclua, entre outros pontos:

  • definição antecipada de recursos para equalização de juros;
  • ampliação do seguro rural com horizonte estável;
  • criação de reservas para eventos climáticos extremos;
  • planejamento estruturado para áreas como armazenagem, irrigação e recuperação de solo.

As 10 propostas da CNA

Entre as principais sugestões apresentadas pela entidade estão:

  1. Criação de um Plano Safra plurianual com foco em programas prioritários;
  2. Destinação de R$ 4 bilhões ao seguro rural e aprovação de projeto de modernização do setor;
  3. Garantia de R$ 623 bilhões em crédito rural para 2026/2027;
  4. Medidas para melhorar a saúde financeira dos produtores;
  5. Atualização dos limites de renda para enquadramento em programas como Pronaf e Pronamp;
  6. Aprovação da nova Lei do Agro (“Lei do Agro 3”);
  7. Redução da burocracia no crédito rural e combate à venda casada;
  8. Prioridade para programas como RenovAgro, PCA e Proirriga;
  9. Ampliação de fundos garantidores para operações agropecuárias;
  10. Fortalecimento do financiamento privado via mercado de capitais.

Segundo a CNA, o conjunto de propostas busca tornar a política agrícola mais eficiente, estável e capaz de reduzir vulnerabilidades, garantindo condições para o desenvolvimento sustentável do agro brasileiro.

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