A alta na previsão da inflação para 4,71% em 2026, segundo o Banco Central do Brasil, acende um alerta direto para o setor agropecuário e o comércio de alimentos.
Com a inflação puxada principalmente por itens como alimentação e transporte, o impacto tende a ser duplo: de um lado, o produtor rural enfrenta aumento nos custos de produção — como combustível, insumos e logística — e, do outro, o consumidor sente o peso no preço final dos alimentos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já mostram essa pressão. Em março, a inflação foi de 0,88%, influenciada justamente pela alta nos preços de alimentos e transporte.
Além disso, o cenário de juros ainda elevados — com a taxa Selic em 14,75% ao ano — também dificulta o acesso ao crédito rural e encarece investimentos no campo, como compra de máquinas, insumos e expansão da produção.
Na prática, o resultado pode ser um efeito em cadeia: custo mais alto para produzir, margem mais apertada para o produtor e alimentos mais caros nas prateleiras.
Mesmo com a expectativa de crescimento da economia puxado em parte pelo agro, o cenário de inflação acima da meta pode limitar esse avanço, especialmente para pequenos e médios produtores, que dependem mais de financiamento e têm menor capacidade de absorver custos.
