Agricultores, pesquisadores e instituições de ensino se reúnem, entre os dias 30 de março e 1º de abril, em Belém, para a criação do Fórum Popular Agroflorestal da Amazônia. A iniciativa busca integrar conhecimentos científicos e saberes tradicionais com o objetivo de recuperar áreas degradadas e fortalecer sistemas produtivos sustentáveis na região do Nordeste paraense.
O encontro, intitulado “Restaurando florestas que alimentam”, será realizado nas sedes da Embrapa e da Universidade Federal do Pará, reunindo lideranças da agricultura familiar, comunidades tradicionais e pesquisadores que atuam diretamente na restauração ambiental da Amazônia.
A articulação é coordenada por um centro multi-institucional liderado pela Embrapa, com participação da Universidade Federal Rural da Amazônia e do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento. O objetivo principal é consolidar a governança do Fórum, fortalecendo uma rede que já atua, na prática, na recuperação de áreas degradadas por meio da agricultura familiar.
A iniciativa é resultado do trabalho do grupo Refloramaz, que desde 2017 reúne agricultores, técnicos e pesquisadores em ações de pesquisa aplicada voltadas à restauração ambiental. O grupo ganhou força a partir da especialização em sistemas agroflorestais ofertada pela UFPA, ampliando o diálogo entre ciência e campo.
Segundo a pesquisadora Emilie Coudel, do Cirad, o Fórum surge para aproximar políticas públicas da realidade dos produtores. A proposta é criar um espaço onde as próprias comunidades possam apresentar soluções baseadas em experiências já consolidadas nos territórios.
O modelo defendido pelo Fórum prioriza o manejo de capoeiras e a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), combinando produção agrícola com recuperação ambiental. A estratégia busca não apenas conservar a biodiversidade, mas também gerar renda e garantir segurança alimentar para as populações locais.
Para a pesquisadora Lívia Navegantes, da UFPA, a restauração da Amazônia depende diretamente do protagonismo das comunidades que vivem no território. Ela destaca que o diálogo entre diferentes formas de conhecimento é essencial para enfrentar os desafios ambientais e climáticos da região.
Já a pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa, reforça que a construção de soluções passa pela escuta ativa dos agricultores. Durante o evento, os participantes irão discutir práticas de regeneração natural e elaborar o regimento que orientará as próximas ações e agendas do Fórum.
A criação do Fórum Popular Agroflorestal representa um passo importante na articulação entre ciência, políticas públicas e práticas tradicionais, consolidando um modelo de desenvolvimento que alia produção, conservação e valorização dos povos da floresta.
