O processo eleitoral da presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac) entrou naquele nível do enfado. É uma ladainha cansativa, com rezas e contas sem fim, como um rosário de lamentos. Este editorial volta ao tema de forma breve, na esperança de que a página vire, porque não houve fato mais importante no setor agropecuário regional durante a semana que passou que não fosse essa bendita eleição.
Sejamos claros e diretos: Assuero Veronez foi reeleito pela oitava vez à presidência. É evidente que isso expõe falhas estruturantes na representatividade da categoria. Isso é óbvio. Ninguém fica tanto tempo em um cargo de representação classista sem que lacunas graves sejam alimentadas por tanto tempo. São vazios que não se preenchem ano após ano. E como não há vácuo em Política, alguém vai preenchendo o espaço.
É claro que é legítima a organização de um grupo opositor à atual diretoria. É legítima e até necessária. Mas isso precisa ser feito com organização, com profissionalismo, com rigor. Não há como pleitear a condição de representar a classe dos produtores rurais do Acre errando até publicação em Diário Oficial.
Não há como querer representar o pecuarista do Acre criando factóides para redes sociais. Também fica muito complicado para a imagem da classe dos pecuaristas, agricultores e empresários da agroindústria ter um candidato à federação que responda a processos na Justiça.
O que este espaço defende é que a classe dos produtores rurais do Acre, aqueles produtores que estão representados na Faeac, estejam preparados tecnicamente para enfrentar os debates sobre os gargalos do setor agropecuário. O cargo exige conhecimento. Não é conversa de botequim e nem se pode pensar que os debates na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estão no mesmo grau de complexidade da organização de cavalgadas e eventos agropecuários em beira de estrada. A coisa é mais grave.
Assuero Veronez sabe que a contribuição junto à Faeac já foi dada. Ele tem essa dimensão. É preciso fazer a passagem de forma processual, sem casuísmo. São muito poucos os produtores rurais representados na Faeac. Atente, leitor! O editorial está tratando da Faeac. Não se fala aqui da Fetacre (Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Acre). Esta, sim, representa milhares de produtores. Mas a Faeac representa outro perfil de produtor: no Acre, em número muito modesto. Uma quantidade tão baixa que desautoriza a desavença e as arengas.
É preciso pacificar as relações de forma urgente. Os gargalos técnicos na área agrícola e pecuária são muitos e exigem respostas práticas e rápidas. Não dá para perder tempo com conversa miúda. Lembrando um detalhe elementar: arejar a Faeac com novos nomes é uma necessidade que deve ser construída de forma democrática. A revisão do estatuto que, em tese, começa nesta segunda (30), é um excelente exercício para as mudanças necessárias.
Este espaço até comete a ousadia de apresentar uma proposta: abrir o universo de eleitores para escolha do presidente. Para isto, é preciso definir exatamente qual o perfil do produtor que a Faeac representa, reunidos nos atuais 11 sindicatos com direito a voto, e abrir para que todos os filiados passem a votar. Seria uma eleição mais cara, exigiria mais organização, mas seria, em tese, mais representativa. É uma ideia. Que venham novos tempos!
