A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, segundo a PNAD Contínua. O índice subiu em relação ao trimestre anterior (5,2%), mas caiu frente ao mesmo período do ano passado (6,8%). Apesar do cenário de relativa estabilidade, um dado chama atenção: o país tem hoje 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria, muitos deles ligados a atividades informais como feiras, pequenos comércios e produção rural.
Esse contingente ajuda a explicar por que a informalidade ainda atinge 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,3 milhões de brasileiros. Na prática, isso inclui feirantes, agricultores familiares e pequenos produtores que dependem da venda direta para garantir renda — uma realidade bastante presente em estados como o Acre, onde a economia local é fortemente baseada na agricultura de pequena escala.
Mesmo com esse cenário, houve melhora na renda. O rendimento médio mensal chegou a R$ 3.679, com alta de 2% no trimestre e 5,2% no ano. O aumento pode indicar um fôlego maior para esses trabalhadores, embora ainda sem a segurança de vínculos formais em grande parte dos casos.
A população ocupada foi estimada em 102,1 milhões de pessoas, com leve queda no trimestre, enquanto o número de desocupados chegou a 6,2 milhões. Já a taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 14,1%, mostrando que ainda há uma parcela significativa de brasileiros trabalhando menos do que poderia ou fora do mercado.
Os dados reforçam um retrato conhecido no campo e nas cidades: o mercado de trabalho até melhora, mas continua sustentado por quem trabalha por conta própria. Para feirantes e produtores rurais, isso significa seguir enfrentando desafios como instabilidade de renda, falta de formalização e dependência direta do consumo local.
