Em fevereiro, aduana de Assis Brasil desbanca Porto de Santos e Manaus

Depois de mais de 10 anos, as exportações acreanas utilizam mais a saída da Unidade da Receita Federal na tríplice fronteira do que a dos Portos de Santos e Manaus. Castanha, carne bovina e suína foram os produtos mais presentes na pauta de exportações

Itaan Arruda

A aduana de Assis Brasil ultrapassou o Porto de Santos e o Porto de Manaus como principal via de exportações acreanas. A organização dos dados foi feita pela diretoria de Desenvolvimento Regional da Secretaria de Estado de Planejamento. Há mais de 10 anos, isso não acontecia e esse redirecionamento por parte dos agentes econômicos privados exige medidas ágeis por parte do poder público.

“Esse é um desafio que a dinâmica da nossa economia está apresentando: as condições da aduana frente ao fluxo cada vez mais elevado de mercadorias forçam o Governo Federal e o poder público como um todo a estruturar adequadamente a aquele espaço”, analisou o diretor de Desenvolvimento Regional da Secretaria de Estado de Planejamento, Marky Brito.

A balança comercial do Acre em fevereiro apresentou um recuo de 7,4% nas exportações. Conseguiu comercializar US$ 8,42 milhões em vendas para o exterior.

O Peru, responsável por 60,4% das exportações acreanas, comprou US$ 5,09 milhões. Os Emirados Árabes Unidos, o segundo maior comprador dos produtos do Acre, teve participação de US$ 724 mil.

O modal rodoviário foi o mais utilizado, com 65,1% das exportações do Acre chegando ao destino por meio das estradas. E os 34,9% restantes utilizaram os modais via marítima, por meio do Porto de Manaus ou pelo Porto de Santos.

Participação e valor exportado por produto
Produto Participação Valor
Castanha 42,2% US$ 3,55 milhões
Carne bovina 21,3% US$ 1,79 milhão
Carne suína 17,5% US$ 1,47 milhão

Pauta de exportação exige fortalecimento do Idaf

Os três principais produtos da pauta de exportações do Acre no mês de fevereiro demonstram a importância estratégica do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf). O Idaf é muito importante para a economia do Estado do Acre.

“Quando tudo está bem, sem sobressaltos, é raro alguém destacar o instituto. Mas quando surge algum problema, somos o primeiro a ser lembrados e, nem sempre de maneira positiva”, contextualizar o presidente do Idaf, Francisco Thum.

O Estado do Acre, atualmente, está com o Sisb suspenso pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A atuação do Mapa não teve nada de excepcional: atuou dentro de um protocolo. O Idaf precisa melhorar em intensidade a quantidade de informações das várias ações que executa. O que o Mapa quer é isso.

É como se o Mapa estivesse dizendo assim: “Idaf, você precisa valorizar mais o trabalho de excelência que desenvolve. Os resultados a que você tem chegado não tem deixado evidências claras para nós do Mapa”. Em síntese, é isso o que o ministério quer.

O problema é que a equipe do presidente Francisco Thum precisa ser ampliada. Sem o incremento de novos técnicos, engenheiros, biólogos, médicos veterinários será difícil superar esse gargalo.

Uma fonte que não quis se identificar, ligado à uma das áreas mais técnicas do instituto foi taxativo: “o Gabinete Civil precisa observar o Idaf como um instrumento estratégico para a economia do Acre. A questão é de ordem econômica. Não tem nada a ver com política”.

Com a suspensão do Sisb ativa por parte do Mapa e sem adesões de novas empresas ao sistema, haverá impacto econômico. Os números do Acre serão ainda mais modestos. “O ministério exige que os veterinários e técnicos sejam efetivos”, lembra Thum.

O Idaf elaborou um relatório que está sendo analisado pelo Tribunal de Contas do Acre, na expectativa de que a corte de contas possa compreender que ou o Idaf se fortalece ou a economia do Acre pode ficar cada vez mais vulnerável. E o TCE pode dar parecer favorável ao chamamento de novos servidores.

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1 comentário
  • Uma notícia assim, proporciona um certo ânimo na gente, e dissolve as imagens ruins criadas e alimentadas por boatos pejorativos de que o Acre não produz nada de vantajoso ou de qualidade. Falta só mais investimentos em pessoal, deixando as picuínhas políticas de lado. O Acre fica realmente muito pequeno quando se prende à tal política de interesses individuais e de grupos. Este é, sem dúvida, o seu lado medíocre.

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