A Região Norte foi a primeira a colocar na mesa suas principais demandas para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027. Em reunião realizada nesta terça-feira (24), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) iniciou pelos estados amazônicos a série de encontros regionais que vão subsidiar o governo federal na construção da próxima política de crédito para o campo.
Coordenado pela Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA, o encontro reuniu representantes das federações de agricultura da região, com foco em discutir desafios específicos enfrentados pelos produtores nortistas — que vão desde dificuldades de acesso ao crédito até entraves fundiários e ambientais.
De acordo com o assessor técnico da CNA, Guilherme Rios, abrir a rodada de debates pela Região Norte é estratégico para dar visibilidade às particularidades locais. “No ano passado construímos um documento robusto e precisamos atualizar, principalmente porque o governo não atendeu parte das nossas reivindicações”, destacou.
Um dos principais pontos de atenção é a queda na contratação de recursos do atual Plano Safra. Até fevereiro de 2026, o volume aplicado foi 13% menor em comparação ao mesmo período da safra anterior. O cenário, segundo Rios, reflete o aumento do endividamento no campo, maior burocracia e a redução de limites de crédito nas instituições financeiras.
Com mais dificuldade para acessar linhas oficiais, produtores têm buscado alternativas no mercado privado, mesmo com juros mais altos. A situação foi agravada por mudanças regulatórias, como a Resolução CMN 4.966, em vigor desde janeiro de 2025, que alterou a forma de provisionamento de perdas pelos bancos e coincidiu com o aumento da inadimplência no setor.
Hoje, a inadimplência no crédito rural com taxas de mercado já chega a 13,47%, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2011. O dado reforça a preocupação das instituições financeiras e dificulta ainda mais a liberação de novos financiamentos.
Entre as propostas levantadas pelos representantes da Região Norte estão o aumento dos recursos para o seguro rural, por meio da subvenção ao prêmio (PSR), ajustes no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a criação de linhas de crédito mais adequadas à realidade amazônica. Também foram destacadas como prioridades a regularização fundiária e a necessidade de maior segurança jurídica nas questões ambientais, fatores que impactam diretamente o acesso ao crédito.
A rodada de encontros seguirá pelas demais regiões do país. As contribuições serão consolidadas em um documento final que será entregue ao governo federal como base para a formulação do Plano Safra 2026/2027, previsto para começar em julho.
