A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) tornou públicos novos pedidos de liberação planejada no meio ambiente (LPMA) para organismos geneticamente modificados, apresentados durante a 289ª reunião ordinária do colegiado, realizada em março. Os processos fazem parte das etapas obrigatórias para pesquisas em campo e envolvem empresas, instituições de pesquisa e universidades que atuam no desenvolvimento de biotecnologia agrícola.
Entre os pedidos protocolados, a cana-de-açúcar aparece com destaque. O Centro de Tecnologia Canavieira apresentou propostas para avaliar, em condições reais de cultivo, diferentes eventos transgênicos com características como resistência a insetos e tolerância a herbicidas. Os estudos incluem desde fases iniciais de avaliação até etapas de seleção de materiais com potencial para avançar no desenvolvimento comercial.
Na soja, os processos envolvem tanto a multiplicação de sementes quanto o melhoramento genético. A Syngenta Seeds Ltda. busca autorização para produção de sementes com resistência a insetos e tolerância a herbicidas, enquanto a GDM – Genética do Brasil Ltda. pretende realizar cruzamentos entre diferentes linhagens transgênicas e cultivares comerciais, com foco na evolução de populações mais adaptadas e produtivas.
Outro destaque é o avanço das pesquisas na citricultura. O Fundecitrus solicitou liberação para testar uma variedade de laranja geneticamente modificada com capacidade de repelir o inseto transmissor do greening, doença que tem causado perdas significativas nos pomares brasileiros.
Já no milho, a Corteva Agriscience apresentou pedido para avaliar a eficiência de um híbrido transgênico resistente a insetos em condições brasileiras, incluindo a importação de sementes para os experimentos.
A pesquisa pública também aparece entre os processos. A Universidade Federal de São Carlos pretende analisar o desempenho agronômico de cana-de-açúcar transgênica em comparação com variedades convencionais, observando comportamento a campo e possíveis ganhos produtivos.
Além das novas liberações, há também pedidos de ajustes em experimentos já em andamento. A Suzano S.A. solicitou a mudança do local de um teste com eucalipto geneticamente modificado, transferindo a área experimental de São Paulo para Mato Grosso do Sul, sem alteração das condições de biossegurança previamente estabelecidas.
Os pedidos ainda serão analisados tecnicamente pela CTNBio, responsável por avaliar riscos e estabelecer condições para a condução segura desses estudos. A liberação para testes em campo é uma etapa anterior à possível aprovação comercial e costuma ser utilizada para validar o desempenho das tecnologias em diferentes ambientes de produção.
