De R$ 158 a R$ 1.450: a escalada histórica dos preços do café no Acre

Após atingir o piso de R$ 158 por saca em 2020, café chega a R$ 1.450 em 2025 e redefine o nível de rentabilidade da atividade no estado.

Luiz Eduardo Souza

A série histórica de preços do café conilon no Acre mostra uma das mais intensas reviravoltas do mercado agropecuário recente. Em julho de 2020, o produtor recebeu apenas R$ 158 por saca de 60 quilos — o menor valor da década. Cinco anos depois, em 2025, a cotação chegou a R$ 1.450 por saca, estabelecendo um novo patamar de rentabilidade para a atividade.

Os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que entre 2016 e 2020 o setor enfrentou margens comprimidas, elevada volatilidade e dificuldade de capitalização. O cenário começou a mudar no segundo semestre de 2020, impulsionado por restrições de oferta nacional e valorização internacional das cotações.

O ponto de inflexão ocorreu em 2022, quando os preços praticamente dobraram, alcançando cerca de R$ 740 por saca. A partir daí, o mercado consolidou um ciclo de forte valorização, ampliando a atratividade econômica da cafeicultura e incentivando investimentos em tecnologia e renovação de lavouras.

Em 2024 e, sobretudo, em 2025, o ambiente de preços elevados elevou significativamente a receita por unidade produzida, fortalecendo o fluxo de caixa nas propriedades e acelerando o processo de modernização do setor no estado.

Embora janeiro de 2026 tenha registrado acomodação para cerca de R$ 1.100 por saca, o valor ainda permanece em patamar historicamente alto. A nova base de preços sugere um ambiente mais favorável à sustentabilidade financeira da atividade, consolidando a cafeicultura acreana em um ciclo de maior estabilidade econômica e capacidade de expansão.

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