A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil promoveu, na quarta-feira (25), reunião da Comissão Nacional de Pecuária de Leite para definir as ações estratégicas da cadeia produtiva em 2026. O plano apresentado pelo assessor técnico Guilherme Dias contempla cinco frentes principais: antidumping do leite, mercado futuro, brucelose e tuberculose, acordo Mercosul x União Europeia e regularização das agroindústrias.
No tema antidumping, o setor deve concentrar esforços no envio de informações técnicas ao Departamento de Defesa Comercial, ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A nota técnica com os fatos essenciais do processo deve ser publicada em 26 de março, e o parecer final está previsto para maio. Caso seja confirmada a prática de dumping com dano à indústria nacional, a decisão será encaminhada à Câmara de Comércio Exterior (Camex), que votará sobre a aplicação dos direitos antidumping, válidos por cinco anos, com possibilidade de renovação.
Outro ponto considerado estratégico é o desenvolvimento do mercado futuro do leite, ferramenta que pretende oferecer previsibilidade de preços e gestão de riscos aos produtores. A proposta busca reduzir os impactos da volatilidade, permitindo planejamento mais eficiente, acesso ao crédito e estímulo a investimentos de médio e longo prazos. A expectativa é que o instrumento seja lançado ainda no primeiro semestre.
Na área sanitária, a comissão discutiu a modernização do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Após workshop realizado em 2025, a CNA pretende promover novo encontro para tratar de testagem, certificação, destinação de animais e indenização de produtores, com o objetivo de encaminhar propostas de aprimoramento ao governo federal.
Também foram analisados os impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia para o setor de lácteos, que prevê cotas com desgravação gradual em dez anos para produtos como leite em pó, fórmulas infantis e queijos (exceto muçarela). Por fim, a CNA debateu proposta de regularização de agroindústrias e queijarias, alinhando as normas à Lei 14.515/2022, com foco na ampliação da formalização e no fortalecimento da competitividade da cadeia do leite.
