Alta da alface nos grandes centros pressiona preços no Acre

Estado continua tendo abastecimento mínimo e respondeu por pouco mais de 1 tonelada do volume comercializado nas Ceasas em janeiro, enquanto cotações subiram mais de 36% na média nacional

Luiz Eduardo Souza

O mercado de alface iniciou 2026 com forte valorização nos principais entrepostos atacadistas do país. Em janeiro, os preços médios subiram 36,56%, avanço bem superior ao registrado em dezembro de 2025, quando a alta havia sido de 3,49%. O movimento impacta diretamente estados como o Acre, que dependem majoritariamente do abastecimento local e de pequenas remessas externas para suprir o consumo.

Nos grandes centros, a elevação foi expressiva. Na Ceagesp, em São Paulo, a alta chegou a 53,37% na capital e 42,55% na unidade de Campinas. Já na Ceasaminas, em Belo Horizonte, o aumento foi de 23,33%. Em fevereiro, a tendência de valorização continuou: os preços avançaram 12% na capital paulista, 52% em Brasília e 35% em Belo Horizonte.

Chuvas e calor explicam disparada

O cenário observado em dezembro se repetiu em janeiro. Chuvas intensas nas regiões produtoras dificultaram a colheita, provocaram perdas no campo e reduziram a qualidade das hortaliças folhosas, especialmente da alface, que é altamente perecível. O excesso de precipitações também comprometeu novos plantios, afetando a oferta nas semanas seguintes.

Ao mesmo tempo, o calor típico do início do ano impulsionou o consumo, pressionando ainda mais as cotações. Apesar de a oferta total nas Ceasas ter crescido 3% no período, o percentual foi insuficiente para equilibrar uma demanda mais aquecida.

Produção concentrada

A produção nacional de alface é fortemente concentrada e ocorre, em geral, próxima aos grandes centros consumidores, o que gera dinâmicas próprias de preços em cada mercado. Em janeiro de 2026, sete microrregiões responderam por 91% do volume comercializado nas Ceasas analisadas. Apenas Piedade (SP) foi responsável por 51,63% de toda a alface negociada no período.

O estado de São Paulo liderou o abastecimento, com 2,35 milhões de quilos, seguido por Ceará e Rio de Janeiro.

Acre aparece com volume residual

No levantamento nacional, o Acre registrou a comercialização de apenas 1.053 quilos de alface nas Ceasas monitoradas — participação considerada residual dentro do total de 3,64 milhões de quilos negociados no mês.

O número evidencia que o estado não é um fornecedor relevante para os grandes centros e que o consumo interno depende principalmente da produção local, muitas vezes oriunda de agricultura familiar e cultivos próximos a Rio Branco e outros municípios.

Tendência para os próximos meses

Em fevereiro, as mesmas variáveis climáticas e de mercado permaneceram presentes, mantendo a pressão sobre a oferta e sustentando as altas. Caso o padrão de chuvas intensas persista nas regiões produtoras, a tendência é de manutenção de preços elevados no curto prazo.

Para o Acre, o impacto é duplo: de um lado, o mercado nacional pressiona os preços quando há necessidade de complementação de oferta; de outro, a produção local também pode sofrer influência de fatores climáticos, especialmente no período chuvoso amazônico, afetando disponibilidade e qualidade.

O cenário indica que o consumidor acreano deve continuar encontrando preços firmes nas próximas semanas, acompanhando o comportamento observado nos principais mercados do país.

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