Alta oferta derruba preço do mamão: cenário impacta abastecimento no Acre

Estado acompanha movimento nacional de queda nas cotações em janeiro, com aumento da comercialização nos grandes centros

Luiz Eduardo Souza
Aumento da oferta nas principais regiões produtoras do país pressionou os preços do mamão em janeiro, refletindo no abastecimento e nas cotações praticadas no Acre. Foto: Reprodução.

O mercado de mamão iniciou 2026 com queda nos preços médios nos principais entrepostos atacadistas do país, reflexo do aumento da oferta nas regiões produtoras do Espírito Santo e da Bahia. O cenário nacional influencia diretamente o abastecimento no Acre, que depende majoritariamente de frutas vindas de outros estados para suprir o consumo interno.

Em janeiro, a retração mais intensa nas cotações foi registrada nas Ceasas de São Paulo (-13,28%) e Goiás (-20,46%), além do Rio de Janeiro, que também apresentou variação significativa. Ao mesmo tempo, houve aumento superior a 20% na comercialização média nas praças analisadas, com destaque para os mercados paulista e carioca.

Calor e chuvas aceleraram oferta

O principal fator para o recuo dos preços foi o aumento da oferta do mamão papaya, oriundo do norte do Espírito Santo, e do mamão formosa, vindo do sul da Bahia — principais polos produtores do país. O calor intenso ao longo do mês acelerou o amadurecimento das frutas, enquanto as chuvas volumosas elevaram a incidência de doenças fúngicas nas lavouras e comprometeram parte da qualidade.

No último decêndio de janeiro, além da tradicional queda de demanda típica do início do ano — período de menor poder aquisitivo da população — as chuvas mais fortes no meio-norte capixaba prejudicaram pulverizações e colheitas, agravando o cenário para os produtores.

Para o Acre, que não figura entre os grandes produtores nacionais, a dinâmica do Sudeste e do Nordeste impacta diretamente os preços praticados no comércio local. Com maior oferta nacional, a tendência foi de estabilidade ou leve recuo nas gôndolas acreanas, especialmente no atacado.

Fevereiro sem tendência definida

Na primeira quinzena de fevereiro, os preços do mamão papaya e do formosa não apresentaram tendência clara de alta ou baixa. A oferta começou a diminuir de forma pontual e lenta, enquanto a demanda seguiu apenas regular — sinalizando um mês sem grandes oscilações.

Há indicativo de pequenas altas para o papaya, devido à redução momentânea na disponibilidade. Já para o formosa, a expectativa é diferente: com a normalização das chuvas, a oferta pode crescer a partir de março, pressionando novamente as cotações para baixo.

Rentabilidade pressionada

O aumento dos custos com pulverizações, somado às oscilações climáticas, tende a comprimir a margem dos produtores nas principais regiões fornecedoras. A expectativa do setor é de que um alívio mais consistente na rentabilidade ocorra apenas próximo ao meio do ano.

No Acre, o consumidor deve acompanhar um mercado relativamente estável no curto prazo, mas atento às movimentações da oferta nacional, que continuam sendo o principal fator determinante para os preços da fruta no estado.

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