A cadeia produtiva da apicultura no Acre ainda é considerada pequena e pouco estruturada. A avaliação é do apicultor Anselmo Forneck, que atua há 47 anos no estado e afirma que o número de produtores ativos é reduzido.
“Muito difícil dizer quantos apicultores tem no Acre. Eu só considero apicultor quem tem acima de 10 colmeias. Acho que não chegamos a 30 pessoas. É muito iniciante nossa apicultura aqui no estado”, afirmou durante entrevista ao AC24Cast.
Segundo ele, a atividade ainda carece de escala e organização, o que limita o crescimento da produção e o fortalecimento da cadeia.

Abunã como referência
De acordo com Forneck, a região do Abunã concentra hoje o núcleo mais forte da apicultura acreana. Ele atribui esse avanço a fatores ambientais e institucionais.
“A área que tem a apicultura mais forte é aqui no Abunã, porque lá é proibido o uso de agrotóxico e proibido o uso do fogo. Como já existe essa premissa e todos defendem isso, é uma atividade maravilhosa para criação de abelha”, destacou.
Entre os principais produtores da região está o grupo ligado ao Projeto de Assentamento Agroextrativista Bonal, conhecido como Grupo Bonal, que, segundo ele, vive um momento de expansão.
“Os maiores produtores da nossa região são do grupo Bonal. Eles estão em um processo fantástico”, afirmou.
Forneck também reconhece que houve investimento público direcionado à região.
“Lá eles têm apoio da Secretaria de Agricultura. Foi a região que o Estado mais investiu”, disse.
Produção ainda é baixa
Mesmo com polos organizados, o volume produzido no Acre ainda é considerado pequeno. O apicultor afirma que o estado não chega a 20 toneladas anuais de mel.
“Eu não tenho estatísticas desse ano. Tenho dados de quando eu estava no Programa do Mel do Estado, mas não chegamos a 20 toneladas. É um valor muito baixo”, declarou.
O contraste fica ainda mais evidente quando comparado ao cenário nacional. O Brasil produziu cerca de 65 mil toneladas de mel em 2023, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e figura entre os maiores produtores mundiais.
Diante desse cenário, Forneck avalia que a apicultura acreana ainda tem grande potencial de crescimento, mas depende de organização da cadeia, segurança ambiental e políticas públicas estruturantes para ganhar escala.
