Recordes, exportações e saída de gado: até onde vai o fôlego da pecuária acreana?

Mercado aquecido impulsiona embarques e movimentação interestadual, mas cenário exige equilíbrio entre venda e retenção

Redação
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Se por um lado o aumento no abate de fêmeas levanta debate sobre o ciclo pecuário, por outro os indicadores de mercado mostram uma pecuária acreana em plena força comercial.

Em 2025, a movimentação interestadual de bovinos vivos atingiu 378.808 cabeças — crescimento de 74,66% em relação a 2024 e o maior volume da série histórica. A maior parte dos animais enviados para fora do estado foi composta por machos jovens destinados à recria e terminação em outras regiões, reforçando a vocação do Acre como fornecedor de gado para outros polos produtivos.

No mercado externo, o desempenho também foi histórico. As exportações de carne bovina somaram 5.693,71 toneladas em 2025, maior volume já registrado. A proteína passou a representar 27,9% das exportações totais do estado, ampliando sua relevância na balança comercial acreana.

O crescimento foi impulsionado principalmente por mercados do Oriente Médio e da Ásia, com destaque para Emirados Árabes Unidos, Filipinas e Turquia.

O cenário combina valorização da arroba, demanda ativa e maior integração aos mercados nacional e internacional. No entanto, a soma de forte saída de animais vivos, aumento nos abates e crescimento das exportações impõe um desafio estratégico: como equilibrar liquidez imediata com sustentabilidade produtiva no médio prazo?

Se 2025 foi o ano dos recordes, o próximo passo da pecuária acreana dependerá da capacidade do setor de alinhar mercado, reposição de matrizes e agregação de valor dentro do próprio estado.

Porque na pecuária, crescimento sem planejamento pode virar ajuste no ciclo seguinte.

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