Dependência de outros estados e exportações influenciam preços na Ceasa

Oscilações fora da curva nacional e maior envio de frutas ao mercado externo ajudam a explicar altas e baixas no atacado da capital acreana

Luiz Eduardo Souza
Governo do estado e prefeituras poderiam ajudar a monitorar os preços. Com mais informação sobre cenário da inflação, consumidor decide melhor. (Foto: ac24horas)

A formação dos preços das frutas comercializadas na Ceasa de Rio Branco tem sido cada vez mais influenciada por fatores externos ao Acre, como a dependência quase total de outros estados produtores e o aumento das exportações brasileiras. Levantamentos recentes mostram que, enquanto algumas Ceasas do país registram altas expressivas em determinados produtos, a capital acreana chega a apresentar movimentos opostos, evidenciando um mercado altamente sensível à logística, à oferta disponível e ao destino da produção nacional.

No caso do mamão, por exemplo, Rio Branco registrou uma queda acentuada de preços, em contraste com a maioria das centrais de abastecimento do país, que apontaram valorização da fruta. A diferença está diretamente ligada à origem do produto, vindo principalmente da Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Norte, estados que enfrentaram problemas climáticos recentes. A reorganização da oferta para mercados prioritários acabou beneficiando pontualmente o atacado acreano, gerando uma queda fora da curva nacional.

Já produtos como a maçã seguiram caminho inverso. Mesmo com redução significativa no volume comercializado, os preços subiram na Ceasa de Rio Branco. A explicação passa tanto pela menor disponibilidade da fruta, concentrada nos estados do Sul e Sudeste, quanto pela concorrência com o mercado externo, que tem absorvido parte relevante da produção brasileira, reduzindo a oferta para o consumo interno.

Essa dinâmica deixa claro o grau de dependência do Acre em relação a outras regiões do país. Frutas como mamão, melancia, maçã e laranja chegam quase integralmente de estados produtores distantes, o que torna o mercado local vulnerável a variações climáticas, custos de transporte e decisões comerciais tomadas fora do estado. Qualquer alteração na safra, na logística ou na destinação desses produtos impacta diretamente os preços praticados em Rio Branco.

Outro fator que vem pesando sobre o abastecimento interno é o avanço das exportações. A demanda crescente da União Europeia por frutas frescas e derivados, como o suco de laranja, tem direcionado parte da produção brasileira para o mercado externo. Com isso, produtos de melhor qualidade tendem a ser priorizados para exportação, enquanto o mercado interno passa a operar com oferta mais restrita, o que ajuda a explicar oscilações e reajustes no atacado, inclusive na Ceasa de Rio Branco.

O cenário reforça que o comportamento dos preços na capital acreana não depende apenas da oferta local ou do consumo regional, mas está diretamente conectado ao desempenho do agronegócio nacional e às movimentações do comércio internacional. Para o consumidor final, isso significa que altas e baixas observadas nas bancas e feiras de Rio Branco são, muitas vezes, reflexo de decisões e eventos que acontecem a milhares de quilômetros de distância.

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