O avanço das exportações do Acre passa, cada vez mais, pela capacidade do Estado de superar gargalos logísticos, ampliar a abertura de mercados e integrar ações entre governo, setor produtivo e órgãos federais. Esse foi o principal eixo do debate realizado nesta segunda-feira (2), em Rio Branco, durante reunião que reuniu representantes da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict), da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Segundo o secretário da Seict, Assurbanípal Mesquita, o Acre já apresenta resultados consolidados no comércio exterior, mas precisa avançar em ritmo mais acelerado. “O Estado cresce ano após ano nas atividades ligadas ao comércio exterior, já tem um portfólio de negócios estruturado, mas ainda temos muitos desafios para ampliar oportunidades, especialmente para pequenas empresas e novos segmentos”, afirmou.
Nos últimos sete anos, o Acre exportou mais de R$ 2,1 bilhões, com cerca de US$ 98 milhões apenas em 2025, números considerados expressivos, mas que, segundo o governo, ainda podem ser ampliados com melhor integração institucional e investimentos em infraestrutura logística.
Para o presidente da Faeac, Assuero Veronez, o agronegócio segue como principal motor da pauta exportadora acreana, mas enfrenta limitações estruturais. “A bovinocultura de corte, a soja e a carne suína são hoje os três principais produtos de exportação do Acre. O setor está em expansão, mas estamos distantes dos grandes portos e precisamos vencer esses gargalos para competir melhor”, destacou.
Assuero ressaltou que vender para o mercado internacional é estratégico para a economia local. “Exportar em dólar remunera melhor, gera crescimento econômico e fortalece o setor produtivo. Mas precisamos definir rotas mais eficientes, entender melhor os mercados compradores e adequar nossos produtos às exigências internacionais”, pontuou.
Na avaliação do superintendente do Ministério da Agricultura no Acre, Paulo Trindade, o papel do Mapa é garantir segurança sanitária e apoiar a abertura de mercados para produtos de origem animal e vegetal. “O Ministério acompanha as negociações internacionais e se coloca à disposição dos produtores e empresários para atender às exigências sanitárias e possibilitar a entrada de produtos industrializados no mercado externo”, afirmou.
Trindade destacou que o crescimento das exportações depende da atuação conjunta entre os entes públicos e o setor privado. “Para que o Acre consiga avançar de forma consistente, é fundamental esse alinhamento institucional, garantindo condições para o crescimento industrial e para o acesso a novos mercados”, completou.
A expectativa do governo é que, com ações coordenadas ao longo de 2026, o Estado consiga ampliar sua base exportadora, diversificar produtos e consolidar sua posição no comércio internacional, especialmente na relação com países vizinhos e novos mercados consumidores.
