Apesar de ser considerado setor prioritário na reforma tributária, o agronegócio brasileiro ainda não está preparado para lidar, de forma estratégica, com as mudanças que começam a ser implementadas a partir de 2026. É o que revela uma pesquisa da PwC Brasil, que mostra baixo nível de maturidade das empresas diante do novo modelo de tributação sobre o consumo.
De acordo com o levantamento, apenas 36% das empresas do setor com faturamento superior a R$ 5 bilhões afirmam ter um entendimento estratégico avançado sobre os impactos da reforma. A maioria ainda se encontra em estágio inicial de preparação, sem análises integradas sobre efeitos tributários, operacionais e financeiros.
O estudo também aponta fragilidade na adaptação tecnológica. Somente 9% das empresas concluíram o diagnóstico e iniciaram ajustes nos sistemas fiscais e de emissão de notas, enquanto grande parte ainda está em fase preliminar de avaliação. Esse atraso pode comprometer a operacionalização das novas regras já a partir de 2026, quando começam as obrigações acessórias da reforma.
Outro dado que chama atenção é a preocupação com o impacto no caixa. Cerca de 60% das empresas entrevistadas indicaram receio com aumento da carga tributária no curto prazo e maior necessidade de capital de giro, mesmo com a previsão de mecanismos de não cumulatividade no novo sistema.
Para a PwC, a falta de uma abordagem integrada — envolvendo áreas como comercial, logística, suprimentos e finanças — pode fazer com que o agronegócio enfrente a reforma de forma reativa, aumentando riscos operacionais e custos no período de transição.
