Brasil se consolida como liderança global na exportação de carnes

País ampliou volume, receita e mercados na última década e segue como pilar do abastecimento mundial de proteínas animais

Luiz Eduardo Souza

A decisão da China de limitar a 1,1 milhão de toneladas a cota de importação de carne bovina do Brasil em 2026 não compromete a trajetória de forte crescimento das exportações brasileiras de proteínas animais. Mesmo diante de desafios como o tarifaço dos Estados Unidos e episódios de gripe aviária, o país consolidou, ao longo da última década, um desempenho considerado extraordinário no comércio internacional de carnes.

Em 2025, o Brasil registrou resultados históricos nas exportações de proteínas animais, com crescimento consistente tanto em volume quanto em faturamento. O desempenho reflete a ampliação do acesso a novos mercados, o fortalecimento da sanidade animal e a competitividade da produção nacional, fatores que sustentaram a presença brasileira mesmo em um cenário internacional marcado por restrições comerciais e sanitárias.

No ano passado, o país exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, 5,324 milhões de toneladas de carne de frango e 3,619 milhões de toneladas de carne suína — este último, um recorde histórico absoluto.

Com esses resultados, o Brasil manteve a liderança mundial nas exportações de carne de frango e bovina e alcançou a terceira colocação no ranking global da carne suína, reforçando sua relevância estratégica no abastecimento de alimentos em escala internacional.

A evolução se torna ainda mais evidente na comparação entre 2016 e 2025, com base em dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). No caso da carne de frango, as exportações cresceram de 4,384 milhões para 5,324 milhões de toneladas, avanço de 21,4%. No mesmo período, a receita saltou de US$ 6,849 bilhões para US$ 9,79 bilhões, alta de 42,9%.

Na carne suína, o crescimento foi ainda mais expressivo. O volume exportado praticamente dobrou, passando de 0,732 milhão para 1,51 milhão de toneladas, enquanto a receita disparou de US$ 1,483 bilhão para US$ 3,619 bilhões, crescimento de 144% em dez anos.

Já a carne bovina apresentou o maior salto em valor. O volume exportado avançou de 1,4 milhão para 3,5 milhões de toneladas, crescimento de 150%, enquanto a receita passou de US$ 5,5 bilhões para cerca de US$ 18 bilhões, alta de 227% no período.

O conjunto desses números demonstra que, apesar de restrições pontuais em mercados específicos, o Brasil ampliou de forma consistente sua presença global, conquistou novos compradores e agregou valor às exportações, consolidando-se como um dos principais fornecedores mundiais de proteínas animais.

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