Renda de agricultor aumenta 79% após Complexo do Café do Juruá

A constatação foi feita por consultoria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, responsável por acompanhar os impactos do projeto. A arrecadação de ICMS de Mâncio Lima praticamente dobrou e o número de dependentes do Bolsa Família caiu 7%

Itaan Arruda

Na região de Mâncio Lima, a renda média do agricultor aumentou 79%. Esse é o impacto direto da atuação do Complexo Industrial do Café do Juruá. A constatação foi feita por uma consultoria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, que acompanha a execução do projeto.

A ordem de serviço assinada ontem (8) pela diretora de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI, Perpétua Almeida, garante a construção de outra unidade com secadores e descascador, beneficiando centenas de famílias produtoras do Vale do Juruá. O investimento nominal dessa nova unidade é de R$ 5 milhões. Soma-se aos outros R$ 15 milhões já aplicados com a edificação do Complexo Industrial do Café do Juruá.

Essa iniciativa da ABDI tem mudado a vida dos 180 integrantes da Coopercafé. São homens e mulheres que tiveram as vidas transformadas nos últimos três ou quatro anos. A maior parte fez a migração “da roça” (termo genérico para designar plantio de macaxeira) para o plantio das mudas de café. A maior parte é formada por agricultores de base familiar, quase sempre com área de quatro hectares de terra.

Após a implementação do Complexo Industrial do Café do Juruá e o impacto da economia cafeeira, arrecadação de ICMS de Mâncio Lima quase dobra, além de ter reduzido em 7% o número de dependentes do Bolsa Família. Dados são da ABDI. Na foto, Perpétua Almeida, diretora da agência, assina ordem de serviço para construção de unidade com secadores e descascadores em Cruzeiro do Sul.

É o caso do agricultor Marcos Araújo Lima, 48, casado e com um filho. Ele lembra hoje de uma decisão que tomou no distante fevereiro de 2022. “Eu lembro bem. Eu estava fazendo farinha quando o Seu Jonas [Jonas Lima, presidente da Coopercafé] chegou com meu primo. ‘Bora plantar café, Marcos!’, ele disse. Eu respondi: ‘Na roça, eu sei o que é preciso. No café, eu não sei’”, recorda-se o cafeicultor.

Foram necessários mais dois dias de insistência de Jonas Lima, presidente da cooperativa, para convencer. “Eu sempre cuidei de roça desde menino. Não foi uma decisão fácil”. Marcos Araújo Lima tinha boa produção de farinha: 500, 400 sacas. Mas a renda não aumentava.

No próximo dia 8 de fevereiro, o agora cafeicultor celebra uma mudança importante. Quatro anos, muita coragem e 14 mil pés de café depois, ele está quitando um terreno de R$ 250 mil onde pretende construir uma casa para a família. O filho jovem ganhou uma moto para ajudar no trabalho.

Nos quatro hectares localizados no Ramal Tucandeira, na Vila Santa Rosa, Marcos Araújo Lima plantou 14 mil pés de incertezas e, por enquanto, está colhendo prosperidade. “Eu saí da macaxeira e plantei 14 mil pés de café. Foi tudo ou nada. Agradeço muito a Deus e ao trabalho do Seu Jonas na cooperativa. Sempre me apoiava”.

De acordo com os dados que foram divulgados pela assessoria da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, há outros indicadores que demonstram o impacto do projeto do Complexo Industrial do Café do Juruá em Mâncio Lima. O número de dependentes do Bolsa Família registrou uma redução de 7%; houve um aumento de 60% no número de empregos e crescimento de 466% na concessão de crédito rural. A arrecadação do município cresceu 98%, com um aumento de 41% na arrecadação de ICMS.

Os indicadores de 2025, ainda parciais e apurados até agosto, reforçam a expectativa de que a nova unidade em Cruzeiro do Sul trará resultados semelhantes para os produtores locais.

Marcos Lima: das 500 sacas de farinha para o plantio de café que lhe garantiu uma qualidade de vida inédita. Deve quitar este ano um terreno onde pretende construir uma casa para a família

“Perpétua enxergou em nós uma força”, relata agricultor Pigola

Elielson Pereira da Silva, o “Pigola”, tem 42 anos e três filhos com Alessandra Santos Souza Silva. A propriedade dos dois está localizada no Ramal do Izaque, sete quilômetros após o Complexo Industrial do Café do Juruá. Dos 4,5 hectares, dedica 2 ao plantio do café. Mas agora em 2026 pretende ampliar a área plantada.

A cafeicultura mudou a realidade muito imensa (sic)”, entusiasma-se. Há três anos, decidiu plantar café e viu a renda melhorar como nunca antes durante os 10 anos em que trabalhou no roçado de macaxeira. Considerava-se “um diarista”.

A história do Pigola também é representativa para se perceber como um agricultor de base familiar pode impactar na renda de outras famílias. “Nessa última safra, eu separei vinte mil reais e contratei 15 pessoas. Isso nunca aconteceu comigo”, relata.

Após a decisão de ser cafeicultor, Pigola iniciou a construção de uma casa de alvenaria, comprou uma moto para o filho ir para a faculdade e já pensa em comprar outra moto pra ele. “Isso tudo aconteceu por conta de duas situações. A primeira foi a ABDI. A gente nem sabia o que era isso. A Perpétua viu em nós uma força que nem a gente sabia. E outra coisa importante é o trabalho do ‘Seu Jonas’ na Coopercafé. A gente precisa ser grato”. 

Na frente da casa que passou a construir com a esposa, Pigola agradece a mudança no padrão de vida por causa da renda gerada a partir do Complexo Industrial do Café do Juruá e do trabalho da Coopercafé
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