As medidas de salvaguarda da China para a importação da carne brasileira não têm impacto direto para o Acre. A explicação é simples: o Acre não exporta carne para a China. A pedido do ac24agro, o professor aposentado da Ufac e articulista do ac24horas, o economista Orlando Sabino, fez uma consulta ao sistema do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio (Mindic) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Pelos dados apresentados, é possível perceber que o Acre, por enquanto, não mantém relação de comercialização direta com a China. O país que mais compra carne do Acre são os Emirados Árabes Unidos. Eles respondem por 25,4% das exportações acreanas de carne bovina e derivados. Eles compraram mais de US$ 9 milhões entre janeiro e novembro deste ano.
Em segundo lugar vem as Filipinas, com 15,9% das exportações acreanas de carne bovina (o que rendeu em torno de US$ 5,6 milhões). Veja a tabela:
Acre: principais destinos das exportações de bovinos e derivados
Exportações (Jan–Nov/2025) — valores em US$ FOB
| País | Valor (US$) | Participação (%) |
|---|
Salvaguarda: o que é?
Medidas de Salvaguardas são instrumentos legais usados pelos países para proteger setores da economia que estão se sentindo prejudicados com importações. Fazem parte do contexto de disputa do comércio internacional.
É uma medida protecionista? Sim. É uma medida de proteção da indústria interna. Ela é anunciada aos parceiros comerciais formalmente com antecipação. Na ocasião, é estabelecido um prazo para que seja feita uma investigação e que se demonstre que o volume de importação tem prejudicado a indústria local. E foi exatamente isso o que aconteceu no caso das salvaguardas chinesas em relação à carne brasileira.
O Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas de carne para a China em 2025. Isso representou mais de 48% de toda a carne exportada pelo Brasil. Ultrapassou a cota estabelecida que era de 1,1 milhão de toneladas. Para a carne brasileira entrar na China, ela paga 12% de taxa estando dentro da cota.
Agora, acima da cota, a taxa prevista é de 55%.
Brasil tem vantagem?
A carne brasileira segue sendo muito competitiva. É o que afirmam vários analistas de grandes empresas de consultoria em mercado internacional. Normalmente, a carne do Brasil é 22% mais barata. Isso é um diferencial muito importante. A esperança está na arbitragem.
Países que não utilizaram todo o percentual da cota deixam margem para se negociar com o governo chinês.
