O presidente da OCB/AC, Valdemiro Rocha, avalia que a proposta apresentada pela pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) de uso de inteligência artificial como instrumento para antecipar a estimativa de safra da castanha é “um avanço”.
A proposta foi apresentada no programa agro24cast do último domingo (9) pelo pesquisador do instituto Evandro Ferreira e pelo estudante de Engenharia Agronômica da Ufac Henrique Carvalho.
“É algo inovador. É desafiador. É muito mais complexo do que prevê safra de milho e soja”, constatou Rocha. O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras no Acre lembra que o papel das cooperativas que lidam com produtos agrícolas e extrativistas é regular mercado e que, por princípio, protegem o agricultor e o extrativista (coletor).
O raciocínio do representante da OCB/AC vale como um fundamento do trabalho das cooperativas, independente da capacidade de previsibilidade de safra, com ou sem instrumentos tecnológicos.
“Agora, com esse recurso, é possível se planejar mais. Além disso, chama atenção para a cadeia produtiva. Vamos chamar o pesquisador para maior detalhamento. O espírito é continuar a proteger o coletor de castanha”, assegura Valdemiro Rocha.
O sentido de “proteção”
Quando o presidente da OCB/AC usa a expressão “proteger o coletor de castanha”, o sentido posto é o de que as cooperativas, sejam elas cooperativas singulares ou centrais, elaboram um conjunto de medidas calculadas para que o cooperado tenha o preço do produto oferecido o mais valorizado possível.
Em tempos de muita oferta do produto (no caso da castanha, quando a safra é boa e há grande oferta no mercado), a tendência do preço é cair. É nesse momento que a cooperativa precisa definir uma política de preço mínimo de modo a que o extrativista não seja prejudicado.
Por outro lado, quando a safra é baixa e há falta de castanha no mercado, o preço sobe. O produto valorizado precisa beneficiar não apenas o extrativista, mas também o sistema cooperativo para que a manutenção da estrutura cooperativa funcione com eficácia.
Independente da previsão de safra (com inteligência artificial ou não), o sentido do trabalho das cooperativas é este.
O que o presidente da OCB/AC avalia é que a proposta apresentada pelo Inpa traz inovação ao cenário que pode ser positiva.
