Novembro será um mês marcado por contrastes climáticos em todo o Brasil, conforme análise de Vitor Castilho, meteorologista da Tempo OK. As regiões Sul e Sudeste devem registrar chuvas superiores à média, enquanto as regiões Norte e Nordeste enfrentam um cenário de precipitações abaixo do esperado.
O fenômeno El Niño será um fator determinante, com previsão de atingir seu pico entre novembro e dezembro, influenciando as condições meteorológicas em todo o país. Castilho explica que o mês de novembro representa uma transição, quando a estação chuvosa se consolida no Brasil central, mas este ano será fortemente afetada pelo El Niño.
Apesar do aumento das temperaturas, os modelos não indicam a formação de ondas de calor nos próximos 30 dias. A previsão é de calor predominante, mas com variações ocasionais. Em regiões como o Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, a expectativa é de alternância entre períodos de calor intenso e quedas de temperatura causadas por nebulosidade e chuvas.
Como será o clima nas regiões do Brasil?
– Sul: A previsão aponta chuvas acima da média, especialmente no Paraná e nas partes central e noroeste do Rio Grande do Sul. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), frentes frias devem trazer instabilidade, e as temperaturas poderão variar entre 0,6°C e 1,5°C acima da média.
– Sudeste: A região verá contrastes climáticos. Enquanto São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais terão chuvas em volume superior ao habitual, o norte de Minas Gerais e o Espírito Santo devem enfrentar precipitações inferiores. As temperaturas também oscilarão entre calor intenso e quedas devido à nebulosidade.
– Centro-Oeste: A irregularidade na distribuição das chuvas será a característica principal. O Mato Grosso do Sul deverá receber os maiores volumes, enquanto os outros estados experimentarão precipitações desiguais. As temperaturas permanecerão acima da média, com desvios que podem chegar a 2°C.
– Norte: A previsão é de chuvas abaixo da média, com destaque para o norte do Pará e Amapá. Essa condição pode elevar as temperaturas, chegando a 2°C acima do normal em áreas como o sudeste do Pará e na região central do Tocantins.
– Nordeste: Um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) atuará no centro e sul da região, dificultando a formação de nuvens e reduzindo as chances de chuvas no interior. Isso contribuirá para manter as temperaturas altas e a baixa umidade relativa do ar.
Impactos na agropecuária
As previsões climáticas para novembro terão efeitos significativos na agropecuária. No Sul, a instabilidade climática pode prejudicar as culturas de inverno em fase final, como canola e trigo, além de aumentar o risco de doenças fúngicas no arroz irrigado. No entanto, a umidade favorecerá as lavouras de soja e milho.
No Sudeste, a combinação de chuvas e altas temperaturas beneficiará o crescimento da cana-de-açúcar e das pastagens, mas pode afetar negativamente o café em Minas Gerais e Espírito Santo, onde o déficit hídrico é uma preocupação.
As chuvas no Centro-Oeste devem ajudar a recuperar a umidade do solo, beneficiando a soja em Mato Grosso do Sul, enquanto o calor e a baixa precipitação em Mato Grosso podem impactar negativamente diversas culturas.
Por fim, a falta de umidade no solo no Norte pode prejudicar a produção de soja, especialmente no Pará e Tocantins, enquanto em Rondônia, onde as chuvas serão acima da média, espera-se um desenvolvimento favorável das pastagens e da soja.
Com informações de Globo Rural.
