O mercado global de cacau fechou a temporada 2025/26, que se encerrou em setembro, com um superávit de 494 mil toneladas, representando a maior recuperação da oferta desde o ciclo 2020/21. No entanto, a consultoria StoneX alerta que a situação deve se tornar mais restrita no ciclo 2026/27, prevendo um déficit de 64 mil toneladas devido à expectativa de queda na produção e uma recuperação gradual da demanda.
A quinta e última revisão do balanço de 2025/26 aumentou a estimativa de superávit, impulsionada principalmente pelo desempenho dos principais países produtores. A produção da Costa do Marfim, maior fornecedor mundial de amêndoas de cacau, foi revisada para 2,05 milhões de toneladas. Em Gana, a produção se aproximou de 700 mil toneladas, segundo informações do Cocobod, órgão regulador do setor.
O Equador registrou exportações recordes, enquanto o Brasil teve uma das melhores safras da sua história. Por outro lado, Camarões enfrentou dificuldades na oferta devido ao calor extremo e à maior intensidade do vento seco Harmattan. Apesar disso, o aumento na produção nos demais países contribuiu para a ampliação da disponibilidade global e a recomposição dos estoques, que haviam sido afetados nos ciclos anteriores.
Quanto à demanda, a StoneX revisou para cima a estimativa de 2025/26, aumentando-a em 30 mil toneladas para um total de 4,69 milhões de toneladas. Esse crescimento se deveu a uma moagem global superior às expectativas no terceiro trimestre, mas não necessariamente indica uma recuperação correspondente no consumo de chocolate. Parte desse aumento se relaciona à recomposição de estoques e ao processamento de amêndoas nos próprios países produtores.
Para a nova safra de 2026/27, as projeções indicam uma redução de 9,6% na oferta global, com uma diminuição de 90 mil toneladas em relação à previsão de julho. Essa revisão considera os impactos do fenômeno climático El Niño, que já está afetando as principais regiões produtoras de maneira desigual. Na Costa do Marfim, a combinação de chuvas abaixo da média e um ritmo lento na colheita levanta preocupações sobre a disponibilidade de amêndoas. Na Indonésia, a seca severa também ameaça a produção, enquanto o Equador enfrenta um excesso de umidade.
Com a expectativa de menor oferta e uma demanda em recuperação, o movimento de recomposição dos estoques globais deve ser interrompido. Embora o déficit projetado de 64 mil toneladas seja relativamente modesto em comparação com os registrados entre 2021/22 e 2023/24, a redução da margem de segurança torna o mercado mais vulnerável a possíveis problemas climáticos. Assim, as condições climáticas no Oeste Africano, região que concentra uma parte significativa da produção mundial, serão cruciais para as perspectivas de oferta e para a formação dos preços no próximo ciclo. Deteriorações adicionais nas condições de cultivo poderão aumentar a pressão sobre o balanço global e sustentar a volatilidade nos preços internacionais.
Com informações de Globo Rural.
