Pecuária

Recorde no abate reduz emissões da pecuária no Brasil

Agropecuária emitiu 626,3 milhões de toneladas de CO₂e em 2025, enquanto avanço das lavouras elevou as emissões da agricultura

Por Luiz Eduardo Souza ·

O recorde no abate de bovinos ajudou a reduzir as emissões de gases de efeito estufa da pecuária brasileira em 2025, mas o avanço da agricultura compensou essa queda e manteve praticamente estável o volume total emitido pelo setor. No ano passado, a agropecuária liberou 626,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), apenas 0,07% abaixo do registrado em 2024. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (21) pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima.

As emissões da pecuária recuaram 1,68%, para 494,1 milhões de toneladas de CO₂e. Na agricultura, por outro lado, houve crescimento de 6,45%, com o total chegando a 132,1 milhões de toneladas. A diferença entre os dois resultados fez com que as emissões da agropecuária permanecessem praticamente no mesmo patamar pelo segundo ano consecutivo.

A bovinocultura de corte continuou sendo a principal fonte de emissões, com 410,7 milhões de toneladas de CO₂e, o equivalente a 65,6% do total do setor. A bovinocultura leiteira respondeu por outros 48,6 milhões de toneladas. As emissões das duas atividades diminuíram, respectivamente, 1,7% e 2,9% em relação a 2024.

Um dos fatores que explicam a redução foi o aumento do abate de bovinos. O Brasil abateu 42,94 milhões de animais em 2025, crescimento de 8,2% em um ano, enquanto a produção de carcaças atingiu 11,1 milhões de toneladas, alta de 7,2%. Ao mesmo tempo, o rebanho nacional caiu 1,7%, para 234,2 milhões de cabeças.

A redução do número de animais contribuiu para diminuir as emissões de metano da fermentação entérica, processo digestivo responsável pela liberação do gás principalmente por meio dos arrotos dos bovinos. Essa fonte respondeu por 396,8 milhões de toneladas de CO₂e, queda de 1,8% em comparação com os 404,1 milhões registrados em 2024.

Lavouras pressionam emissões

Na agricultura, a expansão da produção e da área cultivada contribuiu para elevar as emissões. A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou a 345,4 milhões de toneladas em 2025, avanço de 18,2% sobre o ano anterior. A área cultivada aumentou 4,1 milhões de hectares, alcançando 101,3 milhões.

As emissões relacionadas aos solos manejados somaram 188,6 milhões de toneladas de CO₂e, alta de 3% e recorde da série histórica desse grupo. A categoria inclui emissões associadas ao manejo dos solos agrícolas, ao uso de fertilizantes nitrogenados e calcário, aos dejetos animais e à decomposição de resíduos agrícolas.

O cultivo de arroz irrigado também registrou aumento, de 13%, chegando a 11,2 milhões de toneladas de CO₂e. As emissões do manejo de dejetos animais cresceram 0,7%, para 29,4 milhões de toneladas. Já a queima de resíduos agrícolas da cana-de-açúcar apresentou queda de 30,3%, com aproximadamente 300 mil toneladas emitidas.

Para Gabriel Quintana, coordenador de Ciência do Clima no Imaflora, o desafio é ampliar a produção agropecuária sem elevar proporcionalmente as emissões. Segundo ele, a adoção de tecnologias e boas práticas de manejo pode aumentar a produtividade e contribuir para reduzir o impacto climático das atividades rurais.

Os números mostram que o crescimento da produção não teve o mesmo efeito sobre todas as atividades. Enquanto a pecuária reduziu suas emissões em um ano de recorde no abate, a expansão das lavouras elevou as emissões agrícolas e impediu uma queda mais expressiva no resultado geral da agropecuária brasileira.

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