A reforma de pastagens sem revolvimento do solo tem se consolidado como uma alternativa mais econômica e sustentável para a pecuária acreana. Em entrevista ao Ac24agro, no estande da Embrapa durante a Expoacre 2026, o pesquisador Carlos Maurício explicou como funciona a técnica do plantio direto aplicada à recuperação de áreas degradadas e destacou as vantagens do método para produtores de diferentes portes.
Segundo o pesquisador, o plantio direto já é uma tecnologia consolidada na agricultura brasileira desde a década de 1990 e atualmente é utilizado na maior parte das lavouras de soja e milho do país. O sistema surgiu como alternativa ao preparo convencional do solo, que utiliza arados e grades e, ao longo do tempo, provoca perda de matéria orgânica, degradação da estrutura do solo e maior suscetibilidade à erosão.
Carlos Maurício explica que a Embrapa adaptou essa tecnologia para a realidade da pecuária acreana, onde muitos solos apresentam limitações para o uso intensivo de máquinas devido ao excesso de chuvas, à drenagem deficiente e ao relevo de algumas regiões.
“No Acre, muitos solos não têm grande aptidão para a mecanização. Em municípios como Tarauacá e Feijó, por exemplo, o relevo é ondulado e a infiltração da água é limitada. Quando se faz um preparo mecanizado com grade, aumenta-se o risco de erosão e de perda do solo”, afirmou.
De acordo com o pesquisador, o sistema consiste em eliminar a vegetação da pastagem degradada por meio da dessecação, transformando-a em uma camada de palhada. Em seguida, a nova forrageira é semeada diretamente sobre essa cobertura, sem necessidade de revolver a terra.
“A tecnologia foi desenvolvida ao longo de 10 a 15 anos de pesquisas. Foram estabelecidos protocolos de dessecação, taxas de semeadura e manejo de pragas para chegar a um sistema que reduz entre 15% e 20% o custo da reforma das pastagens, conserva o solo, reduz a erosão e ainda torna o processo mais rápido do que o método mecanizado”, explicou.
Outro diferencial destacado por Carlos Maurício é que o plantio direto pode ser utilizado tanto por grandes quanto por pequenos pecuaristas, já que dispensa o uso de máquinas pesadas.
“É uma tecnologia democrática. O grande produtor pode utilizar drones ou até aeronaves para realizar a operação, enquanto o pequeno pode fazer o processo com um pulverizador costal ou contratar um serviço de drone, que hoje custa cerca de R$ 100 por hectare”, disse.
O pesquisador destacou ainda que a baixa mecanização das pequenas propriedades torna essa alternativa ainda mais importante. Segundo ele, apenas cerca de 4% dos produtores com rebanhos de até 100 cabeças de gado possuem trator próprio, o que faz com que muitos dependam de equipamentos das prefeituras ou de cooperativas para reformar as pastagens.
“Com o plantio direto, o produtor consegue realizar a reforma por conta própria ou contratar serviços específicos, sem depender de máquinas pesadas. Essa tecnologia está crescendo tanto entre grandes quanto pequenos pecuaristas, e nosso desafio é levar essa informação ao maior número possível de produtores para que eles conheçam a técnica e possam aplicá-la em suas propriedades”, concluiu.
