A mandioca, a soja, o milho e, mais recentemente, o café estão entre as culturas acompanhadas pelo Programa de Sanidade das Grandes Culturas do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF). Em entrevista ao ac24agro, no estande do instituto durante a Expoacre 2026, a coordenadora do programa, Ligiane Amorim, explicou o conceito de grandes culturas, destacou a importância econômica da mandioca para o Acre e detalhou as ações desenvolvidas pelo órgão para proteger as lavouras, especialmente durante o vazio sanitário da soja.
Segundo Ligiane, são consideradas grandes culturas aquelas plantadas em extensas áreas e que possuem relevância econômica para o estado. Entre elas, a mandioca ocupa posição de destaque por fazer parte da alimentação da população acreana e estar presente na maioria das propriedades rurais.
“A mandioca tem um valor muito expressivo para a economia acreana. Além de ser um alimento presente diariamente na mesa da população, ela está praticamente em todas as propriedades, inclusive naquelas onde a pecuária é a principal atividade. No Vale do Juruá, por exemplo, temos a farinha com Indicação Geográfica, reconhecida pela qualidade. Embora esse não seja um trabalho diretamente desenvolvido pelo IDAF, isso demonstra a importância da cultura para o estado”, afirmou.
Ela acrescenta que a soja e o milho também fazem parte desse grupo e que o café vem ganhando cada vez mais espaço na agricultura acreana. De acordo com a coordenadora, o IDAF está estruturando ações específicas para ampliar o acompanhamento sanitário da cafeicultura.
“O café tem recebido um destaque muito grande no Acre. Estamos estudando a melhor forma de trabalhar e de nos aproximarmos dos produtores para desenvolver ações voltadas à sanidade da cultura”, disse.
Outro tema abordado durante a entrevista foi o vazio sanitário da soja, considerado uma das principais estratégias de prevenção contra a ferrugem asiática, doença causada por um fungo que pode provocar grandes prejuízos à produção.
“O vazio sanitário consiste na eliminação total das plantas de soja por um período de 90 dias consecutivos. Essa medida reduz a sobrevivência do fungo nas áreas de cultivo e diminui o risco de contaminação da próxima safra”, explicou.
Ligiane ressaltou que o calendário do vazio sanitário é definido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e seguido por todos os estados produtores de soja. No Acre, a medida começa após um intervalo entre a colheita e o novo plantio.
“A colheita normalmente termina no final de março. Depois disso, o produtor pode utilizar a área para outras culturas. Noventa dias antes do início da semeadura, que ocorre em setembro, inicia-se o vazio sanitário. Nesse período é obrigatório eliminar todas as plantas de soja para reduzir a presença do fungo na área e proteger a lavoura seguinte”, explicou.
Durante esse intervalo, é comum que os produtores utilizem a área para o cultivo de milho, pastagens ou outras culturas. No entanto, a coordenadora alerta que grãos de soja perdidos durante a colheita podem germinar naturalmente e precisam ser eliminados.
“Às vezes o produtor planta outra cultura e, por algum motivo, ela não se desenvolve bem. Como sempre ficam alguns grãos de soja na área após a colheita, é natural que eles germinem. Essas plantas voluntárias precisam ser eliminadas para que o vazio sanitário seja realmente eficiente”, destacou.
Segundo Ligiane, o papel do IDAF é atuar principalmente de forma preventiva e educativa, orientando os produtores sobre o cumprimento da legislação.
“A cultura da soja ainda é relativamente nova no Acre. Nossa legislação estadual e as portarias que tratam do assunto também são recentes, então é natural que exista um período de adaptação. O maior beneficiado pelo vazio sanitário é o próprio produtor, porque a medida reduz a pressão da doença e contribui para uma lavoura mais saudável na safra seguinte”, concluiu.