O encontro entre os produtores de base familiar e pequenos pecuaristas com representantes do Governo do Acre na sede do Deracre foi completamente esvaziado. Houve tentativa de agentes públicos para que lideranças desistissem de participar do encontro. Há 10 dias, a mobilização dos produtores na Assembleia Legislativa foi tensa e exigiu do Governo uma resposta. O debate de hoje é resultado dessa pressão do movimento dos trabalhadores.
A reunião começou por volta de 9 horas da manhã e seguiu até depois de meio dia. Apesar do esvaziamento de lideranças políticas com poder de decisão, o encontro foi classificado como “produtivo” pelos produtores.
Reunião produtiva até certo ponto, com lideranças, produtores, com diretor do Deracre, Pedro Valério. Mas Governo e Aelac não cumpriram com o que foi combinado”, avaliou o presidente da Associação dos Pequenos Pecuaristas da Transacreana, José Augusto Pinheiro. “Por isso, a coisa não ficou totalmente decidida. Mas há determinação do Pedro Valério, do Governo, de colocar as máquinas para trabalhar nos ramais. Isso é importante. Mas nós precisamos fazer uma conversa com a governadora. Nós precisamos ouvir a governadora e a governadora precisa nos ouvir. O setor produtivo desse Estado é o que eles têm de mais importante”.
Havia a expectativa de que os produtores fossem recebidos pela governadora do Estado, Mailza Assis Camelí. As únicas lideranças políticas que foram ao encontro foram a deputada estadual Michelle Melo (PDT) e o vereador Felipe Tchê (PP), primeiro secretário da Câmara de Vereadores de Rio Branco.
Nem mesmo o novo presidente do Deracre estava presente. O diretor de Desenvolvimento Regional do Deracre, Pedro Valério, foi quem conduziu os debates representando o Governo no encontro com os produtores. Não foi assinado nenhum termo de compromisso. Nenhum documento foi assinado. Ficou, novamente, a cobrança dos agricultores de base familiar de um lado e as promessas do Governo do Acre de outro. E só.
Um novo encontro ficou de ser realizado. Mas não ficaram definidas nem data e nem local. A única restrição é que aconteça com a presença da governadora Mailza Assis Camelí. Não foi apresentado nenhum cronograma. Ninguém do Deracre também apontou o que será feito em áreas agrícolas no interior do Estado.
O Deracre prometeu colocar cinco máquinas na região da Transacreana e construir duas pontes, uma no São Francisco do Espalha (Riozinho do Rôla) e no Ramal São Raimundo. As obras na AC-90 especificamente não teve ninguém que pudesse explicar o que continuará a ser feito.
A Prefeitura de Rio Branco passou praticamente despercebida pelas falas dos agricultores. Toda a responsabilidade tem recaído para o Governo do Estado, embora a maior parte dos produtores que estavam ali tenham áreas no cinturão agrícola da Capital. O prefeito Alysson Bestene deve definir uma data para conversar com os produtores por mediação feita com o vereador Felipe Tchê.
