A Faculdade de Economia da Universidade Federal do Acre (Ufac) calculou a inflação do mês de abril na Capital. O cálculo foi feito por meio do projeto Monitoramento do IPCA 2026. Os alunos, sob a orientação do professor Rubicleis Gomes da Silva, chegaram à conclusão de que Rio Branco teve IPCA de 0,56%. É um índice abaixo do registrado na média nacional, que foi de 0,67%. No acumulado, tem-se 1,82% no primeiro quadrimestre.
“O número favorável, porém, esconde uma composição que merece atenção: quem puxou o índice para cima em abril foi a gasolina, o feijão e o plano de saúde. Quem o segurou foi a conta de luz e o ingresso de cinema, que não aparecem no orçamento de todas as famílias”, ressalta o boletim divulgado no início da manhã.
Quem fez os preços subirem
A gasolina não lidera a lista de maiores altas percentuais do mês, mas foi o item que mais pesou no índice: impacto de 0,15 ponto percentual (pp) sobre o IPCA de Rio Branco. Seu peso na cesta de consumo faz qualquer variação se espalhar com força. O contrafilé ficou 7,82% mais caro e contribuiu com 0,11 pp. Combustível e proteína animal no topo do ranking dizem algo concreto sobre o que as famílias acreanas não conseguem cortar. Na mesa, três alimentos básicos subiram juntos em abril: limão (+11,43%), cebola (+9,65%) e feijão (+9,02%). O leite longa vida acrescentou 7,65%. Itens que aparecem no carrinho de compras semanal de quase todo mundo, todos no mesmo mês. Saúde e Cuidados Pessoais foi o grupo que mais acelerou. A variação praticamente triplicou entre março e abril: foi de 0,64% para 2,18%, tornando-se o grupo de maior impacto individual no mês (0,28 pp). Reajustes de planos de saúde concentrados no segundo trimestre respondem por boa parte disso. Alimentação e Bebidas também acelerou, de 0,62% para 1,44%, com impacto subindo de 0,14 pp para 0,33 pp. Os dois grupos somados chegam a 0,61 pp em abril, valor maior que o próprio índice geral de 0,56 pp.
Quem segurou o índice
Cinema,teatros e concertos recuaram 26,92% em abril e produziram o maior alívio do mês: −0,19 pp sobre o IPCA. A energia elétrica residencial contribuiu com −0,14 pp e as passagens aéreas com −0,13 pp. Os três juntos absorveram 0,46 pp. Sem esse recuo, o IPCA de Rio Branco em abril teria ficado em torno de 1,02%, não os 0,56% registrados. O problema é direto: a deflação em cinema e passagem aérea não chega igual para todo mundo. Quem não vai ao cinema e não viaja de avião não sentiu esse recuo no bolso. O limão mais caro, o feijão mais caro e a gasolina mais cara chegaram na casa de quase todo mundo. Despesas Pessoais foi o principal amortecedor no nível dos grupos. O grupo reverteu de +0,75% em março para −1,76% em abril, com impacto caindo de +0,06 pp para −0,15 pp. Sem essa deflação , o IPCA de abril em Rio Branco teria ficado em torno de 0,71%. Esse tipo de recuo raramente se repete por mais de um mês.
Rio Branco entre as capitais
O IPCA de abril variou de 0,16% em Brasília a 1,12% em Goiânia entre as 16 praças pesquisadas. Sete das oito capitais com inflação acima da média nacional ficam no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Belém (1,08%) e São Luís (1,09%) registraram quase o dobro de Rio Branco no mês. No acumulado de 2026, a distância ficou ainda mais clara. RioBranco acumula 1,82% em quatro meses. Brasília, a segunda colocada, já soma 1,87%. Belém (3,20%) e Fortaleza (3,10%) acumulam quase o dobro da capital acreana. Uma taxa de juros nacional única não consegue acomodar ritmos inflacionários tão diferentes ao mesmo tempo, e quem mora no Norte e no Nordeste paga esse custo direto no orçamento familiar.
Atenção para os próximos meses: o freio que manteve Rio Branco no topo do ranking de inflação baixa está se desgastando. A deflação de Habitação perdeu força entre março e abril. Despesas Pessoais dificilmente repete −1,76%. Saúde e Alimentação seguem em alta. O Índice de Difusão chegou a 67,8% em abril, o maior desde o início do monitoramento em maio de 2025: dois terços dos itens da cesta subiram de preço. Quando a conta de energia parar de cair e o plano de saúde continuar subindo, a capital acreana vai sentir a diferença.
Sistema de Monitoramento da Inflação (SMI) · PET Economia · UFAC Acesse o relatório completo em https://zenodo.org/records/20148751
