A polêmica de barranco, o festão e a decisão que virá

Redação
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A intenção do governo em comprar um terreno para a realização da Expoacre e para a construção da sede da Secretaria de Estado de Agricultura foi a polêmica de barranco da semana. Caso a governadora Mailza Assis se acostume a administrar ouvindo antes de decidir, vai perceber que alguns desgastes tolos poderiam ser evitados.

No que se refere à realização desta bendita feira agropecuária, é preciso dizer claramente: com câmeras e celulares desligados, todas as lideranças do setor agropecuário são objetivas em dizer que nessa feira pouco há, efetivamente, de importante para o setor.

A programação é mais focada no entretenimento do que em eventos de interesse técnico e empresarial. Sem contar outro detalhe: é muito longa. Nove dias é tempo demais. Resumindo: todos consideram a Expoacre um grande arraialzão. E isso não é problema recente. As lideranças da extinta Frente Popular do Acre iniciaram a retórica de vincular o evento a uma “feira de negócios”. Queriam, pelo slogan, mudar a realidade da agricultura e da pecuária regional. É claro que não conseguiram. O governo de Gladson aceitou barata a versão petista e seguiu no automático. Mailza Assis pode fazer diferente.

Caso o atual Gabinete Civil do Governo do Acre faça uma sondagem com as lideranças do segmento agropecuário, vai perceber que o editorial não exagera. Em eventos mais curtos em outros estados do país, sem programação festiva e sem entretenimento, circula mais dinheiro do que o evento acreano. Com um detalhe: por volta de 18 horas, o dia encerra para começar às 8 horas do dia seguinte.

Caso o gabinete da governadora queira ouvir com disposição a quem pode ajudar a qualificar o evento, vai escutar pouca coisa diferente do que vai escrito aqui.

Tendo essa “pesquisa qualitativa” em mãos, Mailza pode evitar mais desgastes. Pode aproveitar a suspensão, determinada por medida cautelar do Tribunal de Contas do Acre, do pagamento de R$ 22,6 milhões por 75,5 hectares, e rever tudo: área a ser comprada e formato do evento. Afinal de contas, o que está em jogo não é a boa administração? O que vale não é a revisão de gastos e a melhora da relação custo benefício em toda decisão de ordem pública?

É uma oportunidade de Mailza Assis começar a colocar a digital e provar, na prática, que tem coragem e determinação que caracterizam os bons administradores e administradoras. Ou existem alguns interesses na manutenção do evento como está e que a governante, obrigatoriamente, precisa preservar? Se a governadora Mailza Assis aceitar o que parece ser uma disputa retórica entre a Secretaria de Patrimônio da União e a Secretaria de Estado de Agricultura, não vai chegar a lugar algum.

Para 2026, é preciso manter a festona do jeito que ela está. Não há mais tempo para mudar. Mas Mailza Assis, ao que parece, não raciocina politicamente apenas para 2026, não é isso? Esse episódio envolvendo a compra de um terreno sob condições pouco claras pode servir de ensaio para se perceber se a governadora está disposta a fazer o que tem que ser feito ou vai aceitar que lhe conduzam a munheca para rumos já definidos.

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