Ministro anuncia quase R$ 1 bilhão para o AC e destaca ação de Jorge Viana

Viana fez críticas diretas à condução da política de infraestrutura no governo de Jair Bolsonaro (PL), atribuindo a atual situação das rodovias à falta de prioridade e recursos

ac24horas
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Articulação de Jorge Viana garante destinação direta de recursos para BR-364. (Fotos: Sérgio Vale)

Em agenda no Ministério dos Transportes, em Brasília, o ministro Renan Filho anunciou na manhã desta quarta-feira (1) um pacote de obras rodoviárias que soma quase R$ 1 bilhão para o Acre e destacou o papel do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, na articulação dos investimentos junto ao Governo Federal.

Em tom descontraído no início da fala, o ministro fez referência ao time de futebol do dirigente acreano. “E da Apex, o meu amigo Jorge Viana, que tem também como outra virtude a de ser botafoguense, porque também é forjado no sofrimento. Os botafoguenses são forjados no sofrimento e na resiliência. Não é tão simples quanto torcer para o Flamengo ou para o Palmeiras. Agora, torcer para o Botafogo tem que ser resiliente. É mais ou menos como fazer política no Norte do Brasil, no Nordeste do Brasil, onde normalmente os recursos são carreados para outros locais”, pontuou.

O ministro ressaltou o empenho de Jorge Viana na construção da agenda de investimentos para o estado. “Você tem sido aqui um grande batalhador. Eu sou testemunha do seu trabalho, do respeito que o presidente Lula tem pela agenda internacional que você colaborou para construir. Eu me lembro quando você chegou lá na Apex. As pessoas falavam assim: ‘olha, mas como é que vai ser o Jorge lá na Apex?’ E eu já sabia que seria como você foi à frente do governo, à frente do que foi no Senado Federal, na Prefeitura: um cara muito dedicado, hiperativo, ansioso, que tem coragem de disparar 30 ligações quando quer resolver um problema. Então, isso funciona, porque é assim que a gente movimenta as coisas”, ressaltou.

Segundo Renan Filho, esse trabalho foi determinante para viabilizar os anúncios. “Então, esse seu trabalho, Jorge, ele também ajudou muito na construção dessa agenda, que hoje se materializa com quatro anúncios fundamentais”, afirmou.

O pacote anunciado pelo Governo Federal inclui duas ordens de serviço imediatas e dois editais de licitação, somando investimentos expressivos na malha viária do estado. “Duas ordens de serviço, com obra começando agora. As duas no valor superior a 150 milhões de reais: 32 milhões de reais para a reconstrução do acesso do aeroporto, 121 milhões de reais para a obra entre o Rio Liberdade e Cruzeiro do Sul, a reconstrução da BR-364”, detalhou.

Além disso, foram anunciadas novas licitações: “E dois editais. Finalmente, a obra de Sena Madureira a Manoel Urbano, um trecho da 364 que precisa muito. A obra mais cara do Estado, que é uma reconstrução em solo mais complexo, no valor de 720 milhões de reais, e uma licitação de 75 milhões de reais. Ambas [licitações] serão publicadas até o dia 20 de abril, totalizando quase 800 milhões de reais. Essas quatro obras, [totalizam] quase um bilhão de reais”, pontuou.

O ministro garantiu que os investimentos têm base orçamentária assegurada para execução ainda neste ano. “E só vai dar para fazer, porque talvez alguém pergunte assim: ‘Mas vai dar para fazer?’ Vai porque a gente já tem 600 milhões de reais no orçamento desse ano, desse ano”, salientou.

O chefe da pasta do Governo Federal ainda destacou o desafio operacional para execução das obras. “Então assim, a gente até teria, talvez o Ricardo, Jorge, você precisa apertar. Não tem nem condição de medir esses 600 milhões nessas obras desse ano. Tem que rodar! Jorge vai estar aqui, Bruno, Eduardo, Paula, rodar para medir essas obras”, pontuou.

Outro anúncio importante foi a elaboração do projeto da ponte que ligará Rodrigues Alves a Cruzeiro do Sul, considerada estratégica para a mobilidade regional.

“Vocês se lembram que um dia eu estive até lá no Acre. Mas, anteriormente, tinha ido a Michele Bolsonaro. Esteve lá falando que era para construir uma ponte até Cruzeiro do Sul, de Cruzeiro do Sul a Rodrigues Alves. Mas por que não faz? Porque voltava 80 milhões de reais por ano. Como é que vai fazer a ponte? Não tinha nem projeto”, pontuou.

“Então, a gente vai dar a ordem de serviço para o projeto dessa ponte. Nós contratamos o projeto, que ela não tinha. Eu contratei, vou dar a ordem de serviço agora. Vamos elaborar o projeto, Ricardo. Eu queria que você se dedicasse, conversasse com a empresa, acompanhasse, fizesse um cronograma, porque nós vamos publicar a licitação da ponte para Rodrigues Alves ainda no segundo semestre desse ano. Então acho que esse aqui é o grande desafio. Essa ponte, Jorge, é uma ponte para a gente concluir o projeto esse ano, começar o ano que vem”, acrescentou.

O ministro também situou os novos anúncios dentro de um processo de investimentos federais no estado. “Então, o Jorge e o presidente Lula, que fizeram essas conexões do Acre com o Pacífico, que fez a obra de Cruzeiro do Sul, que fizeram a maior parte dos investimentos da BR-364, e que depois observaram a BR-364 evoluir em qualidade, agora a gente restabelece novos investimentos que são muito importantes. Então eu queria dizer isso, Jorge, e finalizar aqui a minha participação”, afirmou.

Apesar do volume expressivo de recursos, Viana reconheceu que o investimento cobre apenas uma fração do problema estrutural da rodovia. “Nós estamos falando de um trecho de quatrocentos quilômetros, que é a parte mais crítica. Desses quatrocentos quilômetros, vinte e cinco por cento tá sendo contratado nessa licitação, falando exclusivamente da parte macadame”, pontuou.

Ele lembrou que, no passado, o governo estadual chegou a assumir a execução das obras por meio do modelo de “obra delegada”. “Quando eu estava no governo, eu fiz a obra delegada, porque o Acre é tão distante de Brasília, as prioridades são tantas outras que eu falei: ‘passe as BR’s que nós vamos cuidar’”, relembrou.

Durante a entrevista, Viana fez críticas diretas à condução da política de infraestrutura no governo de Jair Bolsonaro (PL), atribuindo a atual situação das rodovias à falta de prioridade e recursos. “No governo passado, por exemplo, tinha político do Acre, relator do orçamento, e a bancada não botou os recursos necessários para BR poder não ficar no estado de abandono que ficou.Foi um caos para 317, a nossa estrada do Pacífico e para BR-364. Quase interditou”, observou.

(Texto de Lucas Vitor, fotos de Sérgio Vale e vídeo de Iago Nascimento, extraídos do site ac24horas)

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