As trajetórias das pesquisadoras Jamile da Costa Araújo e Vânia Beatriz Vasconcelos de Oliveira, da Embrapa Amapá, revelam caminhos distintos, mas marcados pela dedicação à ciência e pelo fortalecimento da presença feminina na pesquisa agropecuária na região amazônica.
Natural do Pará, Jamile Araújo construiu sua carreira na área de aquicultura após concluir mestrado e doutorado em Zootecnia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), com foco em temas amazônicos. Posteriormente, especializou-se em gestão de projetos pela Universidade de São Paulo (USP). Médica-veterinária, ingressou na Embrapa aos 28 anos e, já no primeiro ano como pesquisadora, assumiu a liderança do Núcleo Temático de Aquicultura e Pesca.
Ao longo da carreira, também exerceu função de chefia adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento e atualmente preside o Comitê Local de Publicações. Suas pesquisas envolvem áreas como quelonicultura, carcinicultura e piscicultura, com destaque para estudos voltados ao manejo e produção de quelônios em cativeiro, especialmente o tracajá, espécie amplamente consumida na região amazônica e considerada vulnerável.
Durante os 12 anos na instituição, Jamile participou de projetos estratégicos, como o diagnóstico de empreendimentos aquícolas no Zoneamento Ecológico-Econômico do Amapá, desenvolvido por uma equipe formada exclusivamente por mulheres. O trabalho contribuiu para reconhecimentos importantes, como a inclusão na lista das 100 Mulheres Doutoras do Agro, em 2023, e homenagem da Assembleia Legislativa do Amapá em 2025.
Além da atuação científica, a pesquisadora concilia a carreira com a rotina familiar, atividades voluntárias e interesses pessoais, mantendo uma agenda que integra pesquisa, maternidade e participação social.
Já a pesquisadora Vânia Beatriz Vasconcelos de Oliveira iniciou sua trajetória na Embrapa em 1989, na unidade de Rondônia, atuando na difusão de tecnologias. Atualmente, na Embrapa Amapá, desenvolve pesquisas na área de educomunicação, que integra comunicação, educação e ciência com foco na participação social e na divulgação científica.
Ao longo da carreira, Vânia acumulou contribuições relevantes para a educomunicação na Amazônia, com produção de materiais técnico-científicos, conteúdos audiovisuais e projetos reconhecidos nacionalmente. Entre os destaques, está a certificação, pela Fundação Banco do Brasil, de uma tecnologia social voltada à produção de narrativas audiovisuais com estudantes, conectando ciência, meio ambiente e cultura amazônica.
Outros reconhecimentos incluem o Prêmio Samuel Benchimol, em 2008, e premiações no Prêmio COFAP/Fapero, em 2022, na área de comunicação da ciência.
Sua atuação também envolve trabalhos com comunidades extrativistas e participação em iniciativas voltadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), além da valorização do papel das mulheres na agricultura familiar e na construção do conhecimento no meio rural.
A trajetória das duas pesquisadoras reforça a importância da presença feminina na ciência e no desenvolvimento de soluções para a Amazônia, contribuindo para a produção de conhecimento, inovação e sustentabilidade no setor agropecuário.
