No setor agropecuário acreano, nada rendeu tanta importância durante a semana quanto os bastidores da eleição da Federação da Agricultura e Pecuária (Faeac). Teve de tudo. Até mesmo problemas de uma suposta agressão a uma funcionária do Sindicato Rural de Plácido de Castro. Teve decisão liminar da Justiça… de tédio ninguém morreu esta semana.
O primeiro aspecto a ser destacado é o trabalho da Faeac em si. Que instituição é esta? Qual o papel dela? Por que ela é importante. Vendo algumas críticas à atual gestão da federação nas redes sociais, é possível perceber que (descontado o clima de acirramento típico de qualquer processo eleitoral) muita gente tem uma percepção distorcida do papel da Faeac.
Ninguém é eleito presidente de uma federação agrícola para ficar cuidando de calendário de mecanização agrícola, para beneficiar esta ou aquela comunidade. Até mesmo ficar “passando o pires” em gabinete de parlamentar em busca de emendas é algo que pode ser relativizado. Isso não é o trabalho vital, estrutural, fundamental de uma entidade como a Faeac.
O perfil necessário para uma entidade como a Federação da Agricultura e Pecuária guarda relação com os aspectos políticos. Esmiuçando para facilitar a comunicação. Este editorial vai desenhar: a Faeac é uma entidade “PO-LÍ-TI-CA”. Portanto, dirigi-la exige um perfil de uma pessoa que tenha conhecimento técnico das políticas agrícolas em suas mais diversas frentes de atuação, seja na agricultura, seja na pecuária, seja na piscicultura, avicultura, questões tributárias, ambientais. Não é pouca coisa.
Com um detalhe: debater sobre esses temas com diplomacia e inteligência. Querer uma representação política com argumentos de botequim, tateando o problema sem a profundidade e a gravidade que os problemas exigem é um risco.
Há outro aspecto que precisa ser observado: a Faeac é uma entidade privada. É preciso que a iniciativa privada acreana ligada ao setor agropecuário tenha respeito por si. Como diriam os pais de um outro tempo, “deem-se ao respeito!” Não é a iniciativa privada que fica cobrando eficácia e eficiência da esfera pública? Pois, então. Quando tem a oportunidade de fazê-lo, negam essa condição?
Atualmente, a eleição está com chapa única, em um processo que deixou feridas abertas. O site ac24agro apela para o bom senso na construção de um outro cenário. O universo da agropecuária no Acre é muito pequeno para ter tantos traumas. Dos 11 sindicatos com direito a voto, cinco apoiam a atual presidência. A dúvida está no Sindicato Rural de Plácido de Castro, o ponteiro fiel da balança.
E o melhor ainda está por vir. Passado o processo de eleição, há que se obedecer o que foi proposto pela atual presidência e fazer a revisão do estatuto. É nesta hora que será interessante acompanhar o grau de maturidade de quem está comprometido em melhorar a qualidade dos serviços prestados pela federação.
A atual diretoria da Faeac, certamente, precisa fazer uma mea culpa e rever muitos procedimentos. Mas que isso seja feito dentro das regras e com a civilidade necessária.
