O presidente da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Cyro Penna, afirmou que parte das especulações envolvendo a guerra no Oriente Médio tem sido usada para pressionar o mercado e derrubar o preço do boi gordo no Brasil.
Segundo ele, rumores sobre possíveis impactos logísticos — como o fechamento do Estreito de Ormuz — não teriam efeito significativo sobre as exportações brasileiras de carne bovina, mas estariam sendo utilizados por frigoríficos para desacelerar negociações com pecuaristas.
Penna explicou que o estreito é uma rota importante para o transporte de petróleo e gás, mas responde por apenas uma pequena parcela do fluxo global de contêineres, estimada entre 2% e 3%. Por isso, o impacto sobre o comércio internacional de carne bovina seria limitado.
O dirigente também destacou que o principal destino da carne bovina brasileira é a China, responsável por cerca de metade das compras externas do produto. As exportações brasileiras para o país asiático não passam pelo Estreito de Ormuz, já que os navios seguem rotas pelo sul da África, contornando o Cabo da Boa Esperança.
Além disso, outros compradores importantes da carne brasileira — como Estados Unidos, Chile e México — também utilizam rotas marítimas distantes da região do conflito.
De acordo com dados citados pela comissão da CNA, as exportações para o Oriente Médio representaram cerca de 6,8% da receita e 6,5% do volume embarcado pelo Brasil em 2025. Considerando apenas países próximos ao Estreito de Ormuz, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, a participação cai para menos de 4%.
Mesmo diante do cenário internacional, o mercado do boi gordo vinha registrando valorização no início do ano. Entre janeiro e o começo de março de 2026, a arroba acumulou alta de cerca de 9% na praça paulista, impulsionada pela forte demanda externa, consumo interno satisfatório e pelas chuvas que melhoraram as condições das pastagens.
