Os títulos utilizados no financiamento do agronegócio com recursos privados alcançaram estoque de R$ 1,407 trilhão até o fim de janeiro, alta de 13,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados constam no “Boletim de Finanças Privadas do Agro”, divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Em janeiro do ano passado, o estoque de instrumentos como CPR, LCA, CDCA, CRA e Fiagros somava R$ 1,240 trilhão. Em dezembro de 2025, o volume havia atingido R$ 1,416 trilhão.
O maior crescimento foi registrado nas Cédulas de Produto Rural (CPR), cujo estoque avançou 17% na comparação anual, passando de R$ 477,73 bilhões para R$ 560,26 bilhões, distribuídos em cerca de 402 mil certificados. O tíquete médio subiu 1,5%, alcançando R$ 1,39 milhão. No entanto, na comparação entre as safras, houve retração de 5% no volume registrado de julho a janeiro da temporada 2025/26 frente ao mesmo intervalo de 2024/25, recuando de R$ 243,69 bilhões para R$ 231,12 bilhões.
As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) também apresentaram desempenho positivo, com alta de 11% no estoque em 12 meses, totalizando R$ 589,79 bilhões. Atualmente, as LCAs são a principal fonte de recursos livres direcionados ao crédito rural. Do total captado, pelo menos R$ 353,87 bilhões foram reaplicados no financiamento rural, valor 34% superior ao observado um ano antes.
Já os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) registraram crescimento de 6%, alcançando estoque de R$ 177,87 bilhões em janeiro. Em sentido oposto, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) apresentaram retração de 15%, encerrando o mês com R$ 31,52 bilhões.
Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros) também avançaram. O patrimônio líquido desses fundos atingiu R$ 47,42 bilhões ao fim de dezembro, dado mais recente disponível, crescimento anual de 12%, distribuído em 256 fundos administrados.
O levantamento é realizado pela Coordenação Geral de Instrumentos de Mercado e Financiamento, vinculada à Secretaria de Política Agrícola do ministério, e considera informações da B3, CERC e CRDC, Anbima, Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil. Os números reforçam a consolidação do mercado de capitais como importante fonte complementar de financiamento para o setor agropecuário.
