Governo atualiza Zarc da cana-de-açúcar e reforça segurança climática

Nova portaria define critérios técnicos para plantio com irrigação de salvamento no Nordeste e fortalece política agrícola voltada ao açúcar e etanol

Luiz Eduardo Souza
Zarc da cana-de-açúcar passa por atualização e redefine áreas aptas e períodos de plantio no país. Foto: Reprodução

O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou nova portaria aprovando o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar e etanol com irrigação de salvamento. A medida integra a política nacional de gestão de risco rural e impacta diretamente os estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, regiões estratégicas para a produção sucroenergética no país.

O Zarc é um dos principais instrumentos da política agrícola brasileira, pois orienta o produtor sobre as janelas de plantio com menor risco climático e serve como base para concessão de crédito rural e enquadramento no seguro agrícola. Ao estabelecer níveis de risco de 20%, 30%, 40% e acima de 40%, o zoneamento reduz a exposição a perdas causadas por déficit hídrico, excesso de chuva na colheita ou ocorrência de geadas.

A atualização foi construída com base em séries históricas de 30 anos (1992–2022), utilizando dados do Instituto Nacional de Meteorologia, da Agência Nacional de Águas e do CPTEC/INPE. O estudo empregou o modelo biofísico ECOSMOS, capaz de simular crescimento, produtividade e impactos ambientais da cultura em diferentes condições de solo e clima.

Entre os critérios técnicos considerados estão a probabilidade de obtenção de produtividade superior a 65 toneladas por hectare, com ATR de referência de 135 kg por tonelada, ocorrência de geada forte inferior a 20% durante o ciclo e volume de chuvas adequado no período de colheita, etapa sensível devido ao uso de máquinas pesadas. Nos primeiros 150 dias após o plantio, é obrigatória a irrigação de salvamento, e eventuais perdas por deficiência hídrica nesse período não são cobertas.

No cenário nacional, a medida reforça a estratégia de previsibilidade e estabilidade para o setor sucroenergético, que tem papel central na matriz energética brasileira e nas exportações de açúcar. Além de ampliar a segurança produtiva no Nordeste, o zoneamento contribui para maior eficiência no uso de recursos naturais, alinhando produção agrícola, gestão climática e política de crédito rural em um contexto de crescente variabilidade climática.

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