Região Norte é a única a registrar queda na piscicultura em 2025

Com 141 mil toneladas produzidas no bloco, Norte recua 1,41%; Acre soma 2,8 mil toneladas e reforça papel da piscicultura regional

Luiz Eduardo Souza

A piscicultura brasileira alcançou um marco histórico em 2025 ao ultrapassar 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo, segundo levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Apesar do avanço nacional de 4,41% sobre 2024, a Região Norte seguiu na contramão e foi a única do país a registrar retração na produção.

O bloco nortista fechou o ano com 141.165 toneladas, queda de 1,41% em relação às 143.190 toneladas produzidas no ano anterior. O desempenho contrasta com o crescimento observado nas regiões Sul (8,08%), Nordeste (5,04%), Sudeste (3,29%) e Centro-Oeste (1,99%).

Acre dentro do cenário regional

No contexto da Região Norte, o Acre registrou produção de aproximadamente 2.800 toneladas em 2025, distribuídas em cerca de 30 empreendimentos aquícolas, totalizando 2.830 unidades produtivas vinculadas à atividade. Embora o volume seja modesto quando comparado a estados líderes nacionais, o dado reforça a importância da piscicultura como alternativa econômica no estado, especialmente para pequenos e médios produtores.

A atividade no Acre é fortemente ligada à agricultura familiar e à produção voltada ao mercado interno, com destaque para espécies nativas e sistemas de cultivo adaptados à realidade amazônica.

Norte enfrenta desafios estruturais

A retração regional ocorre em meio a desafios logísticos, custos de produção elevados, questões sanitárias e oscilações climáticas — fatores que impactam diretamente estados amazônicos. Diferentemente do Sul, onde há forte integração industrial e escala produtiva, o Norte ainda enfrenta gargalos em processamento, comercialização e acesso a mercados mais amplos.

Enquanto isso, no cenário nacional, a tilápia segue como carro-chefe da piscicultura brasileira, representando quase 70% da produção total, com 707.495 toneladas em 2025 — crescimento de 6,83% em relação ao ano anterior. A expansão da espécie é impulsionada por investimentos em genética, nutrição e processamento, além da crescente demanda interna e externa.

Perspectivas para o Acre

Mesmo com a leve retração regional, a piscicultura no Acre mantém potencial de crescimento, especialmente diante da disponibilidade hídrica e da possibilidade de ampliação do mercado local. O fortalecimento da assistência técnica, do acesso ao crédito e da estrutura de beneficiamento pode ser determinante para que o estado amplie sua participação dentro do bloco nortista.

O marco de 1 milhão de toneladas no país sinaliza um setor em consolidação. Para o Acre e a Região Norte, o desafio agora é transformar potencial produtivo em escala, competitividade e maior inserção nos mercados nacional e internacional.

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