O mercado de mamão iniciou 2026 com queda nos preços médios nos principais entrepostos atacadistas do país, reflexo do aumento da oferta nas regiões produtoras do Espírito Santo e da Bahia. O cenário nacional influencia diretamente o abastecimento no Acre, que depende majoritariamente de frutas vindas de outros estados para suprir o consumo interno.
Em janeiro, a retração mais intensa nas cotações foi registrada nas Ceasas de São Paulo (-13,28%) e Goiás (-20,46%), além do Rio de Janeiro, que também apresentou variação significativa. Ao mesmo tempo, houve aumento superior a 20% na comercialização média nas praças analisadas, com destaque para os mercados paulista e carioca.
Calor e chuvas aceleraram oferta
O principal fator para o recuo dos preços foi o aumento da oferta do mamão papaya, oriundo do norte do Espírito Santo, e do mamão formosa, vindo do sul da Bahia — principais polos produtores do país. O calor intenso ao longo do mês acelerou o amadurecimento das frutas, enquanto as chuvas volumosas elevaram a incidência de doenças fúngicas nas lavouras e comprometeram parte da qualidade.
No último decêndio de janeiro, além da tradicional queda de demanda típica do início do ano — período de menor poder aquisitivo da população — as chuvas mais fortes no meio-norte capixaba prejudicaram pulverizações e colheitas, agravando o cenário para os produtores.
Para o Acre, que não figura entre os grandes produtores nacionais, a dinâmica do Sudeste e do Nordeste impacta diretamente os preços praticados no comércio local. Com maior oferta nacional, a tendência foi de estabilidade ou leve recuo nas gôndolas acreanas, especialmente no atacado.
Fevereiro sem tendência definida
Na primeira quinzena de fevereiro, os preços do mamão papaya e do formosa não apresentaram tendência clara de alta ou baixa. A oferta começou a diminuir de forma pontual e lenta, enquanto a demanda seguiu apenas regular — sinalizando um mês sem grandes oscilações.
Há indicativo de pequenas altas para o papaya, devido à redução momentânea na disponibilidade. Já para o formosa, a expectativa é diferente: com a normalização das chuvas, a oferta pode crescer a partir de março, pressionando novamente as cotações para baixo.
Rentabilidade pressionada
O aumento dos custos com pulverizações, somado às oscilações climáticas, tende a comprimir a margem dos produtores nas principais regiões fornecedoras. A expectativa do setor é de que um alívio mais consistente na rentabilidade ocorra apenas próximo ao meio do ano.
No Acre, o consumidor deve acompanhar um mercado relativamente estável no curto prazo, mas atento às movimentações da oferta nacional, que continuam sendo o principal fator determinante para os preços da fruta no estado.
