Apicultor alerta para prejuízos causados pela falta de debate sobre uso de agrotóxicos no Acre

Após perder 60% das colmeias nos últimos cinco anos, produtor com 47 anos de experiência cobra orientação técnica e diálogo entre setores do agro

Redação
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A falta de debate sobre apicultura e o uso correto de defensivos agrícolas tem causado prejuízos significativos à cadeia produtiva do mel no Acre. O alerta é do apicultor Anselmo Forneck, que atua há 47 anos no estado e afirma já ter sido o segundo maior produtor de mel acreano.

Durante entrevista ao AC24Cast, Forneck relatou que perdeu cerca de 60% das suas colmeias nos últimos cinco anos, impacto que o fez cair no ranking estadual de produção.

“Sou apicultor há 47 anos aqui no estado. Tenho uma experiência que poucos têm em termo de abelha e agrotóxico. Já perdi muito. Nos últimos cinco anos perdi 60% das minhas colmeias. Eu cheguei a ser o segundo maior produtor do estado, hoje devo ser o quinto ou sexto”, afirmou.

Segundo ele, um dos episódios mais marcantes ocorreu em um de seus apiários instalados em uma propriedade rural.

“Eu tinha um apiário, o mais produtivo, que estava na Fazenda do Betão. Quando cheguei para colher mel, não tinha mais uma abelha viva. Todas mortas. O exame confirmou que foi agrotóxico”, relatou.

Para o apicultor, o problema vai além do uso do produto em si e está ligado à falta de orientação e cumprimento das normas técnicas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

“Quem vende o veneno deveria pelo menos orientar sobre a norma do Ministério da Agricultura. Não explicam os usos corretos, as horas do dia, a questão do vento. O pessoal usa de qualquer forma”, criticou.

Forneck destaca que a ausência de diálogo entre agricultores, aplicadores de defensivos e apicultores tem agravado a situação. Para ele, a falta de debate gera desconhecimento e prejuízos coletivos.

“Falta conversa. A falta de debate faz com que as pessoas usem o agrotóxico sem saber, é ignorância. Mas a abelha não tem como falar onde pode voar ou não”, disse.

O produtor afirma que o problema não é recente no Acre, mas se intensificou nos últimos anos, especialmente com o avanço da tecnologia de pulverização aérea por drones.

“Esse problema aqui no Acre já existe há bastante tempo, mas nos últimos dez anos, principalmente nos últimos cinco, piorou ainda mais com o uso dos drones”, pontuou.

Além do impacto direto na produção de mel, a mortalidade de abelhas afeta toda a cadeia produtiva agrícola, já que os insetos são fundamentais para a polinização e para o aumento da produtividade de diversas culturas.

A fala do apicultor reacende o debate sobre a necessidade de equilíbrio entre o avanço tecnológico no campo e a preservação dos polinizadores, essenciais para a sustentabilidade do agronegócio.

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