Uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Rondônia está utilizando luz infravermelha para identificar a origem do café e detectar adulterações em poucos segundos. A tecnologia, chamada Espectroscopia no Infravermelho Próximo (NIR), permite diferenciar cafés por região produtora e reconhecer fraudes de forma rápida, sem destruir a amostra.
O estudo mostra que a técnica é capaz de gerar uma espécie de “impressão digital” química do grão. A partir da interação da luz com os compostos do café, forma-se um espectro químico que é comparado a bancos de dados por meio de algoritmos, permitindo verificar origem, pureza e autenticidade.
Segundo o pesquisador Enrique Alves, da Embrapa Rondônia, o método está em fase de validação para o setor cafeeiro e pode fortalecer indicações geográficas e certificações de qualidade. “É uma tecnologia que permite identificar o terroir do café, chegando ao nível da área produtiva”, explica.

A pesquisa foi desenvolvida ao longo de cinco anos em parceria com a Universidade Estadual de Campinas, combinando espectroscopia e análise quimiométrica para diferenciar origens e detectar misturas indevidas.
Nos testes, foi possível separar cafés robustas amazônicos de conilons do Espírito Santo e da Bahia, embora todos pertençam à espécie Coffea canephora. Também foram identificadas adulterações com milho, soja, casca, borra e sementes de açaí.
A tecnologia já é usada em cadeias como leite e soja, mas ainda é novidade no café brasileiro. A expectativa da Embrapa é que, após a validação científica e a definição de protocolos oficiais, o método possa servir de base técnica para certificações e fortalecer a rastreabilidade digital no setor.
