As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil continuam repercutindo no setor cafeeiro, mesmo após a retirada da taxação sobre o café verde, produto que não passa por industrialização. Diante de um cenário internacional considerado instável, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) prepara uma estratégia de prevenção no mercado norte-americano para evitar que o produto volte a ser impactado por medidas comerciais futuras.
A iniciativa envolve ações de promoção institucional e diálogo com representantes do governo e do setor privado dos Estados Unidos. O objetivo é reforçar a parceria comercial entre os dois países e reduzir o risco de que o café brasileiro volte a ser atingido por tarifas em razão de mudanças na geopolítica ou em políticas comerciais do governo norte-americano.
Outro foco da estratégia é o café solúvel, que segue sujeito a uma tarifa de 50% imposta no ano passado. A manutenção dessa taxação preocupa o setor, que avalia risco de perda de competitividade e retração nesse segmento caso não haja avanços nas negociações.
Como parte do plano, o Cecafé pretende ampliar a presença institucional do programa Cafés do Brasil em eventos nos Estados Unidos, em parceria com a Associação Nacional do Café (NCA, na sigla em inglês). A entidade também trabalha para inserir o tema na agenda de autoridades norte-americanas, buscando soluções para garantir previsibilidade ao comércio do café brasileiro.
Além das questões comerciais, o Cecafé tem apontado a necessidade de apoio do governo brasileiro, especialmente no acesso a linhas de crédito mais competitivas, como forma de mitigar os impactos das incertezas externas sobre os exportadores.
Mercosul–União Europeia
A entidade também avalia de forma positiva o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, considerado uma oportunidade para ampliar o acesso do café brasileiro a novos mercados, não apenas no bloco europeu, mas também em países da Ásia. O entendimento é de que o acordo fortalece a integração econômica e pode gerar novas oportunidades ao longo da cadeia produtiva.
No caso do café solúvel, entretanto, os benefícios do acordo são vistos como de médio a longo prazo. O tratado prevê a eliminação das tarifas apenas após quatro anos de vigência, com reduções graduais de 25% ao ano, o que mantém, por ora, a desvantagem competitiva do Brasil em relação a países como o Vietnã, que já exportam o produto sem tarifa para a Europa.
Outro desafio destacado pelo setor é a infraestrutura logística. A avaliação é de que o Brasil ainda não dispõe de estrutura portuária adequada para atender a um possível aumento da demanda europeia, tanto para exportações quanto para importações, o que pode limitar o aproveitamento pleno das oportunidades abertas pelo acordo.
