A ampliação das exportações do Acre depende diretamente de políticas públicas voltadas à abertura de mercados, financiamento e apoio ao pequeno produtor. A avaliação é do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, que apontou os principais desafios enfrentados pelo estado no comércio exterior.
Segundo Jorge Viana, a base do trabalho do governo federal nas exportações está na abertura de mercados, conduzida de forma integrada pelo Ministério da Agricultura, ApexBrasil e Itamaraty.
“O nosso trabalho é abrir mercado. Você não pode vender para qualquer país. É preciso cumprir critérios sanitários, resolver pendências e construir confiança. Quando você abre mercado, como no caso da carne bovina e suína para o Chile, isso é muito importante”, afirmou.
Ele explicou que alguns produtos já têm mercados mais consolidados, como a soja, enquanto outros enfrentam maiores desafios. Um exemplo foi a castanha-da-amazônia, que sofreu sanções dos Estados Unidos.
“A castanha sofreu sanções e doeu quase 5 milhões de dólares que a gente exportava para os Estados Unidos. Foi tarifada em 50%, e rapidamente tivemos que buscar outros mercados. Mesmo assim, o Acre exportou 12 milhões de dólares de castanha”, destacou.
Viana ressaltou que a madeira também sofre oscilações, por ter forte dependência do mercado americano, e apontou a bioeconomia como um dos maiores potenciais de crescimento do estado.
“A madeira oscila muito. Agora, a nossa bioeconomia, como o açaí e o cacau, que está começando a ser plantado, tem um potencial enorme. Para isso, precisa de políticas públicas”, disse.
Entre os principais gargalos, ele citou a necessidade de uma política estadual focada no pequeno produtor, com acesso ao crédito e incentivo à escala produtiva.
“Nós temos pequenos produtores no Acre. O pequeno plantador de café, de açaí, precisa de uma política do Estado focada nisso. Conversar com o Banco da Amazônia, com o Banco do Brasil, com a Caixa, e construir soluções”, afirmou.
Segundo Viana, sem planejamento e escala, o Acre pode perder espaço para estados vizinhos.
“Se não tiver escala, Rondônia vai ficar exportando muito, porque tem escala, e o Acre vai ficar mais atrás”, alertou.
O presidente da Apex também rebateu a ideia de que exportar encarece os produtos no mercado interno.
“O Brasil está com inflação em torno de 4%, crescimento econômico robusto, emprego pleno e recorde de exportações. As coisas são complementares quando você trabalha com planejamento”, afirmou.
Ele defendeu investimentos em infraestrutura e logística, como a integração com o Pacífico, e políticas de financiamento para agregar valor à produção.
“Já temos a estrada do Pacífico, já temos produtores. Agora é financiar melhor. Um café especial pode ser vendido a R$ 2 mil a saca, e não a R$ 1.100. É disso que eu estou falando”, disse.
Por fim, Jorge Viana destacou que, com apoio técnico e financeiro, a pequena produção acreana pode ganhar espaço no mercado internacional.
“A pequena produção de açaí, de café e de cacau, que está começando, está muito inserida no mercado internacional. Com apoio, financiamento e planejamento, a vida de quem trabalha no agro vai melhorar”, concluiu.
