O Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento finalizou o ano de 2025 realizando o segundo debate com empresários e industriários. O objetivo é avaliar o cenário econômico ao longo do ano, identificar gargalos e projetar a superação dos desafios para o ano que se inicia.
No relatório final, uma expressão chama atenção: “cauteloso realismo”. A expressão é contraditória em si. É quase barroca. Isolada do contexto, pode ser compreendida de forma positiva. Entendo “realismo” como um cenário adverso ao bom ambiente de negócios, ser “cauteloso” pode ser compreendido como uma postura contrária ao “realismo”. Portanto, otimista. Mas, definitivamente, não é esse o espírito que predomina entre quem decide a economia local.
No encontro, ficou claro que os empresários acreanos estão, de fato, muito pessimistas em relação à economia regional. “Em conjunto, os resultados indicam que 2026 tende a ser um ano de consolidação, no qual o crescimento dependerá menos de choques positivos isolados e mais da capacidade de coordenação institucional, redução de entraves estruturais e direcionamento estratégico dos investimentos”, afirma o relatório.
“Em síntese, o desempenho econômico do Acre em 2025 pode ser caracterizado como positivo em alguns indicadores agregados, mas insuficiente para promover uma melhoria generalizada no ambiente de negócios. O cenário revela a persistência de desafios estruturais associados à competitividade, à produtividade e à inclusão econômica, os quais continuam condicionando as decisões do setor produtivo”, analisa o relatório final.
Entre os empresários presentes à reunião, 2026 será de “crescimento moderado e condicionado”. Condicionado a quê? São quatro pilares básicos: investimentos públicos; investimento privado já anunciado; agropecuária e o cenário construído pelo comércio exterior.
Aliás, esse foi outro ponto que não passou despercebido por boa parte dos empresários e industriários. Na fala de muitos, toda a cadeia de instrumentos institucionais voltados para o comércio exterior parece ter conquistado a confiança da classe. Com destaque para a ZPE e a relação com os países vizinhos.
Público X Privado_ Há uma dissociação entre a retórica dos gestores públicos e o que vivenciam os agentes econômicos. “Os agentes públicos e financeiros estão otimistas, baseados no crescimento do PIB do estado acima da média nacional, situação fiscal do estado e a continuidade dos investimentos em infraestrutura”, pontua o relatório em relação a uma parte da cena econômica.
“Já os empresários mantêm uma leitura mais contida. Embora reconheçam oportunidades vinculadas à Zona de Processamento de Exportações (ZPE), ao agronegócio exportador e ao setor de serviços. Avaliam que os gargalos observados em 2025, especialmente os juros elevados, o endividamento e os entraves institucionais, tendem a limitar uma recuperação mais robusta ao longo de 2026”.
O descompasso entre o setor produtivo e a capacidade da indústria local de beneficiar foi lembrado no encontro. “De forma geral, não se antecipa uma deterioração relevante do ambiente de negócios em relação a 2025. A avaliação dominante aponta para um cenário de estabilidade ou de melhora gradual, condicionado à consolidação da articulação entre governo, setor produtivo e entidades empresariais, bem como à manutenção de um contexto macroeconômico nacional relativamente estável”.
