Durante a entrevista ao Agro24Cast, o ex-presidente da Agência de Negócios do Acre (ANAC), Inácio Moreira, explicou os fatores que, segundo ele, contribuíram para a falência da Peixes da Amazônia. Ele afirmou que parte dos problemas decorreu de circunstâncias externas, especialmente do cenário político e econômico nacional.
“Você tem situações que o próprio mercado lhe coloca, são situações difíceis. A Peixes inaugura em 2015, e em 2016 é que ela consegue fornecer para várias grandes marcas. O Brasil entra em uma crise política, que é o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Quando o investidor não se sente seguro do ponto de vista político, com o cargo de uma presidente em jogo, isso afeta tudo”, afirmou.
De acordo com Inácio, o modelo pensado para a empresa previa que o governo do Acre apenas funcionaria como impulsionador inicial do projeto, até que investidores privados assumissem o controle. “Todas essas plantas industriais tinham como objetivo atrair o investidor que comprasse as ações do governo, para que o governo saísse do negócio. Assim, uma grande empresa poderia tocar o projeto”, explicou.
“Não houve gestão maquiada”, diz Inácio
Durante a entrevista, Inácio foi confrontado sobre a possibilidade de o governo estar tentando maquiar erros de gestão dentro da Peixes da Amazônia. Ele rebateu a afirmação, argumentando que a administração da empresa sempre esteve majoritariamente nas mãos da iniciativa privada.
“O presidente da Peixes de 2011 até 2014 foi José Tavares do Couto Neto, que é da iniciativa privada, está na Junta Comercial. Quem era o financeiro que assinava cheque junto com ele era o Brito, dono da Cimec, também da iniciativa privada”, disse.
Ele ainda lembrou que, em 2014, um grande aporte foi realizado por um investidor externo. “Aparece um investidor que aporta 15 milhões na Peixes da Amazônia e na Dom Porquito, que era Ricardo Montenegro”, explicou.
Capital de giro foi o maior problema, diz ex-presidente da ANAC
Inácio Moreira reforçou que, na sua avaliação, o principal gargalo da Peixes da Amazônia não foi gestão, mas falta de recursos para manter a operação funcionando.
“Essa história de que teve problema de gestão ou problema disso e daquilo… O maior problema que a Peixes teve foi capital de giro. Faltou recursos porque a maioria dos empresários que eram sócios da Peixes fez esforços, pois eram sócios de outros negócios, e eles não iriam colocar os negócios principais deles em risco por uma aposta — porque a Peixes da Amazônia foi uma aposta”, concluiu.