Os produtores de carne do Acre estão utilizando uma estratégia cara para fugir dos preços praticados pelos frigoríficos regionais. Os pecuaristas que têm condições retiram os bois em fase de terminação e transportam os animais para fazendas de confinamento em Rondônia (em alguns casos, até para São Paulo) para vender por melhor preço.
Os custos para uso dessa estratégia são altos. Não é um roteiro para todo pecuarista do Acre: frete, imposto do transporte do animal, aluguel da diária. “Mesmo pagando isso tudo, é vantagem por causa do preço da arroba praticado aqui no Acre”, diz um produtor.
Essa informação chegou à Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, que vê com naturalidade, em função do já clássico cabo de guerra entre produtores e frigoríficos, mas observa a cena com alguma preocupação para a cadeia da carne, caso isso se torne uma tendência.
“Os frigoríficos têm que observar bem isso porque eles estão fazendo investimentos altos, precisam de mais bois. Mas nós estamos sofrendo há alguns meses com uma escala de abate longa e preços muito deprimidos, comparativamente”, afirmou o presidente da Faeac, Assuero Doca Veronez.
Outro fator que faz com que o produtor recorra a esse tipo de estratégia é que a retirada de boi do pasto e, dessa forma, aumenta a capacidade de suporte da fazenda. Onde havia um animal acima de 400 quilos se alimentando, o produtor reocupa o espaço com bezerro para retomada do ciclo.
Preço da @ (R$) — Pagamento em 30 dias
Estado | Preço da @ (R$) |
---|---|
Rondônia (RO) | 280 |
Tocantins (TO) | 290 |
Pará (Sul) | 292 |
Acre (AC) | 240 |
Representante do Sindcarnes já prevê falta do produto
O presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos e Matadouros do Estado do Acre, Murilo Leite, tem conhecimento do problema. Mas minimiza. Avalia que isso está restrito a dois ou três produtores e que não é este o problema efetivo da pecuária local e nem é esse o fundamento que pode comprometer o abastecimento dos frigoríficos.
“É muito pouco. É um universo insignificante. Não é um volume grande”, minimiza. “Que vai faltar, vai. Não se sabe quando exatamente. Mas não por esse problema específico. Mas pela saída de gado vivo para ser comercializado e transportado em navios”. De fato, tanto a saída de bezerros quanto de bois tem aumentado no Acre, mesmo com o aumento da pauta praticado pela Sefaz.
Quanto à escala praticada pelos frigoríficos locais, Murilo Leite, rebate. “A escala está mais curta. Hoje, a média praticada é de 10 dias”, informa.