Nas redes sociais, o secretário de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia, Assurbanipal Barbary de Mesquita, tem sido o maior divulgador das articulações políticas que têm sido feitas para que a integração com o Peru aconteça pela cidade de Pucallpa e não por Puerto Maldonado. Falando do lado de cá da fronteira: o grupo político que está no poder no Acre quer a integração pelo Vale do Juruá e não pelo Alto Acre.
Um grupo de secretários de Estado, um representante do Gabinete Civil do Governo do Acre, da Aleac e da Câmara Federal participaram de encontro com o governador do Estado de Ucayalle (cuja capital é Pucallpa) para discutir a integração econômica.
“Estamos discutindo que ambas as regiões possam reivindicar que a ferrovia está sendo planejada pelo Governo Federal e pelo governo chinês possa considerar essa rota”, afirmou. “Ela diminui significativamente o ponto de chegada da soja, que é Porto Velho, até o Porto de Chancay, rumo a Ásia”.
O argumento é de que a estrada, naquela região, permite o trânsito de carretas com maiores dimensões. “Essa rota oferece melhores condições que a de Puerto Maldonado”, entusiasmou-se o secretário. “Oferece melhor condição para o trânsito de caminhões de maior porte circularem. É um caminho promissor”.
A informação de que a rota de integração com o Peru passaria pelo município de Marechal Thaumaturgo é uma novidade que levanta uma série de dúvidas e abre uma nova rota de polêmicas. Lideranças indígenas consultadas pela reportagem ainda não quiseram se pronunciar sobre o assunto porque ainda não foram formalmente consultadas.
Marechal Thaumaturgo tem 90% do território composto por áreas de preservação, seja por terras indígenas ou por reservas de uso sustentável ou de conservação integral.
No plano federal, a ferrovia está em fase de estudos. em julho deste ano, foi assinado um memorando entre Brasil e China para produzir estudos sobre a malha ferroviária brasileira. Esses estudos têm dois fundamentos: o perfil multimodal do sistema de transportes e as obras e projetos já existentes no Brasil.
Fonte que participou dos bastidores da recente visita do presidente Lula ao Acre conversou com a ministra do Planejamento, Simone Tebet. “Pelo que a ministra falou, não há nenhuma perspectiva dos chineses de fazer essa ferrovia que não seja pelo Alto Acre”, lembrou.